Escolas vão formar 4 mil agricultores
Através da pedagogia de alternância, o aluno fica uma semana na escola e outras duas em sua propriedade, aplicando o que aprendeu
Da Redação
Joel RochaFormação ruralNa Escola do Campo o pequeno produtor aprende técnicas agrícolas e como administrar sua propriedadeA Escola do Campo vai atender mais de 4 mil agricultores até o final do ano. Dedicada à formação do pequeno proprietário rural e de seus filhos, a antiga Casa Familiar Rural, criada há dez anos no município de Barracão, Sudoeste do Estado, foi encampada pelo Governo do Estado e hoje busca o atendimento de toda a comunidade rural.
‘‘Nossa meta é, em quatro anos, implantar 200 escolas desse tipo no Estado, cada uma atendendo dois a três municípios paranaenses’’, afirma Walter Hiroshi Yokoyama, técnico da Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná (Codapar), que coordena o projeto. ‘‘Com isso, nós vamos garantir a profissionalização do agricultor e dar ao jovem a opção de permanecer no campo’’, diz. Atualmente, a escola conta com 37 unidades. Serão implantadas pelo menos mais 20 até o final do ano. À frente do projeto desde 1997, a Codapar foi procurada por 40 municípios, interessados na implantação de uma escola em sua região. Desses, pouco mais de 20 já passaram pelas primeiras reuniões envolvendo lideranças municipais, como o prefeito e os secretários da agricultura e da educação. Para iniciar a implantação é preciso, ainda, promover reuniões na própria cidade, garantindo a aceitação e frequência dos futuros estudantes. Todo esse processo demora cerca de seis meses.
‘‘Queremos ser um dos primeiros da região do Norte Pioneiro a implantar este programa’’, afirma o prefeito de Siqueira Campos, Dirceu Rodrigues.
O secretário de Agricultura e Abastecimento de Londrina, Samir Cury, também confirma interesse do seu município em participar do projeto. ‘‘Achamos fundamental que o homem do campo aprenda a ter a visão de empresário e passe a ser um produtor mais consciente de suas possibilidades e do que pode usufruir em suas terras’’, diz.
Por priorizar a profissionalização do agricultor, esta escola é bem diferente da tradicional. Para começar, o aluno passa uma semana nela e duas no campo, onde aplica os conceitos aprendidos, na chamada pedagogia da alternância. Os professores coordenam as informações que os próprios alunos já possuem e acrescentam orientação nas áreas de saúde, gerenciamento da propriedade rural, legislação etc.
O mesmo professor que dá aula de matemática, fornece as noções de química necessárias para o aluno compreender, por exemplo, o desgaste do solo. Por isso, esse profissional geralmente é agrônomo ou técnico em agropecuária, que é treinado em pedagogia pela Secretaria de Estado da Educação. Ele também passa por um treinamento em pedagogia da alternância, que é o segredo do sucesso das Escolas do Campo.
Para entrar na Escola do Campo a idade mínima é 14 anos. O aluno também tem que ter cursado até a 4ª série do primeiro grau. O curso dura três anos e oferece o certificado de qualificação em agricultura e do ensino supletivo de 5ª a 8ª série.
Não existe idade máxima para frequentar esta escola, mas é dada preferência ao jovem de 14 a 20 anos. ‘‘Esse tipo de pedagogia forma duas gerações simultâneas, porque o pai é geralmente formado pelo filho que vai à escola’’, diz o técnico da Codapar.
Cada escola implantada pode atender entre 25 e 30 alunos por turma, ou 75 a 90 alunos no total. As três turmas geralmente ocupam uma única sala, já que toda a semana elas se alternam, enquanto uma está na escola, outras duas ficam no campo. A manutenção da escola é feita pelo próprio aluno e até a comida servida ali sai da produção do sítio de seus pais.

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