Escolas técnicas devem ser prioridade
Um prefeito pode influenciar na melhora da mão-de-obra oferecida para as empresas de uma cidade? De um modo geral os candidatos a prefeito se esquivam quando o assunto é criar cursos de aperfeiçoamento profissional. São raros os planos de governo dos candidatos que apresentam programas de qualificação profissional com alguma possibilidade real de sair do papel. Parece que os políticos ainda não ouviram o clamor de muitos empresários que há um bom tempo vêm avisando que a demanda por mão-de-obra especializada está crescendo e que o mercado não está suprindo esta necessidade com velocidade necessária.
A previsão da equipe econômica do governo é que o país cresça perto de 4,5% este ano. Boa parte deste crescimento se deve a grande massa de pessoas que passaram a ter renda e engrossaram as classes D e C. Estes grupos estão consumindo mais. Em contrapartida as empresas também estão vendendo mais. No entanto, a produção poderia ser maior e a um custo menor se as empresas conseguissem encontrar à disposição mão-de-obra qualificada.
Um bom exemplo é o segmento da construção civil. São tantos os lançamentos de novos prédios e condomínios, que faltam pedreiros, carpinteiros, azulejistas e outros profissionais para atender a todos. Nos últimos meses, quem tentou fazer uma reforma em casa já deve ter passado pelo problema. É preciso entrar numa fila de espera. Segundo um imobiliarista de Londrina, cuja empresa é responsável pela venda dos principais lançamentos da cidade, hoje um pedreiro com alguma qualificação está ganhando, em média, R$ 1.300,00, o dobro do que ganhava há dois anos.
''A economia brasileira está em ascensão e isto tem sido notado também nas pequenas e médias empresas que são as principais empregadoras no País. Elas também precisam de mão-de-obra qualificada e não encontram no mercado'', diz o diretor de Eventos do Sescap-Ldr, Lindomar dos Santos. Segundo ele, antigamente o papel de profissionalizar técnicos era desempenhado apenas pelo Senai, Senac e outras entidades parecidas. Mas, com o aumento da demanda por profissionais, e o aparecimento de novas atividades laborais, estas entidades não conseguem atender a necessidade.
''E o problema é que muitos jovens não têm como pagar escolas particulares de ensino técnico. É imprescindível que os políticos que vão disputar esta eleição tenham isto em mente'', comenta o diretor financeiro do Sescap-Ldr, Nivaldo Lopes.
O empresário José Renato Lopes, proprietário de uma indústria de auto-peças, diz que Londrina precisa olhar mais para o setor industrial. Segundo ele, convencionou-se olhar para a cidade como um grande pólo comercial. No entanto, diz ele, este perfil está mudando aos poucos, aumentando seu parque industrial. Mas é preciso que as indústrias que estão instaladas e as que estão chegando, tenham mão-de-obra disponível e com qualidade.
Para Santos, os gestores políticos deveriam colocar em seus programas de governo a criação de escolas técnicas para suprir a necessidade de mão-de-obra especializada. ''Não é preciso tirar dinheiro do bolso necessariamente. É possível criar benefícios para as empresas interessadas em qualificar seus funcionários. Já existem vários exemplos na cidade. A Milenia Agrociências tem a escola Formare, que forma jovens de baixa renda para o mercado de trabalho. O Sescap-Ldr também tem um projeto na mesma linha. A Bordignon criou uma escola para formar profissionais para a construção civil. São iniciativas importantes, mas isoladas. O gestor público precisa e deve criar possibilidades para incentivar outras empresas a fazer o mesmo'', diz Nivaldo Lopes.
Fonte: Sescap-Ldr- Sindicato das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações, Pesquisas e Serviços Contábeis de Londrina





