Ao mesmo tempo em que os pais preparam os filhos para a volta às aulas, gastando com material, uniforme, matrícula e mensalidade, as escolas se armam para afastar a inadimplência. No momento da matrícula, acionando os terminais de computadores, elas sabem quem pagou ou não pelo ensino no último ano. É uma triagem delicada, especialmente porque, sob qualquer circunstância, o aluno tem direito ao estudo. A lei o protege. O pai pode até ser acionado na justiça por falta de pagamento, mas o filho não pode sofrer nenhum tipo de constrangimento, muito menos o afastamento da escola.
Conscientes da lei, os colégios de Londrina condenam a atitude da Federação das Escolas Particulares de orientar as filiadas no País a cancelarem a matrícula após dois meses sem pagamento. ‘‘Isso é um absurdo’’, dispara Virgílio Junior, relações públicas do Maxi, a maior escola particular da cidade, com 3.200 alunos. O calote não é comum, diz ele, mas sempre aparece um caso ou outro de pessoas que matriculam os filhos, não pagam o ano inteiro e depois pedem a transferência para fazer o mesmo em outro colégio. Tanto é que a Internet já divulga a lista desses caloteiros no País.
A inadimplência - casos em que o pai atrasa as parcelas eventualmente - é outro problema. No Maxi, gira em torno de 4%, segundo o assessor. Para o diretor do Colégio Canadá, Daniel Hatti, o índice médio de inadimplência em Londrina começa o mês em 30% e vai caindo até 10% ou 15%. ‘‘É um índice alto; pode-se dizer que os 10% de lucro previstos na planilha de custos das escolas são consumidos pela inadimplência’’, afirma o diretor, ex-secretário da Educação em Londrina. O peso maior na planilha é o salário do professor.
Hatti explica que a folha de pagamento praticamente determina o valor das mensalidades escolares - que não variam muito de um estabelecimento para outro; ele aponta diferenças de 10%. Um professor com 20 horas/aulas por semana estaria ganhando cerca de R$ 1.800. ‘‘É um bom salário, hoje, mas para a escola representa 70% das despesas’’, observa, lembrando que também paga impostos e taxas diversas.
A mensalidade no Maxi é de R$ 200 em média e foi reajustada em 12% para todo o período de 97, como manda a lei - o preço combinado na matrícula vale para o ano inteiro. Não se pode aumentar nada no meio do caminho. O aluno do Canadá paga de R$ 60 (supletivo do 2º Grau) a R$ 245 (‘‘terceirão’’ e cursinho, já com material de apoio). O colégio encerrou 96 com 1.500 alunos.
Ainda sobre as mensalidades, Daniel Ratti e Virgílio Junior afirmam que elas são bem inferiores às de outras regiões do País. Junior lembra que na cidade de São Paulo o valor chega a R$ 400, e os pais já deram o troco: 9 mil alunos deixaram as escolas particulares. No Rio, foram 8 mil.
Junior acredita que essa debandada está estritamente relacionada com a mensalidade, mas também com o custo do dinheiro e com a qualidade dos estabelecimentos de ensino. ‘‘O mercado está selecionando; a escola que não tem um quadro bom e estável de professores, que não tem uma boa organização administrativa, não vai sobreviver’’, observa.

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