Escoamento da safra preocupa Ferroeste
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de janeiro de 2005
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A concessionária Ferrovia Paraná (Ferropar) terá que entrar nos trilhos ou corre o risco de ter o contrato de concessão anulado pela Estrada de Ferro Paraná Oeste S.A. (Ferroeste). O impasse é que, enquanto a primeira alega incapacidade de investimento por causa do desequilíbrio financeiro do contrato, a segunda cobra melhorias no transporte ferroviário e uma dívida que, segundo a permissionária, somaria R$ 12 milhões somente pela concessão.
A principal preocupação da Ferroeste, conforme apontou o presidente Martin Rhoeder, é com o escoamento da safra. Segundo ele, a capacidade de transporte da Ferropar está ''seriamente comprometida'' e essa seria uma das razões para a Ferroeste estudar a caducidade do contrato. ''Mas essa é uma medida de muita repercussão e tem que ser feita com muito critério'', ponderou.
Em uma reunião na manhã de ontem com a direção da Ferroeste, a Ferropar anunciou acordo com a América Latina Logística (ALL) outra concessionária do transporte ferroviário e acionista da Ferropar para a locação de locomotivas, que dariam suporte ao escoamento da safra. Para Rhoeder, isso já seria um avanço, mas uma nova rodada de discussões, na próxima segunda-feira, desta vez entre os diretores da Ferroeste, irá definir as ''ações estratégicas'' que serão tomadas em relação à Ferropar.
De acordo com a assessoria de imprensa da Ferropar, a empresa contratará uma consultoria especializada para analisar o contrato de concessão e apontar as causas do desequilíbrio financeiro. Segundo a assessoria, quando a Ferropar assumiu a malha ferroviária teve que investir em material rodante o que não estaria previsto no contrato e, mesmo assim, não conseguiu capacidade de transporte para gerar receita suficiente para pagar a concessão. Esse seria um dos principais motivos do desequilíbrio financeiro.
Ainda de acordo com a Ferropar, a meta para este ano é transportar 2,4 milhões de toneladas, volume 70% superior ao transportado em 2004. A partir do acordo com a ALL, dois conjuntos de locomotivas (com capacidade três vezes maior do que as utilizadas pela Ferropar) já estão em operação.


