Escassez de profissionais também atinge varejo
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sábado, 12 de maio de 2007
Andrea Vialli<br> Agência Estado 
São Paulo - A mesma dificuldade para encontrar profissionais com qualificação enfrentada pela indústria se repete no varejo. ''É um problema crônico do setor. O varejo no Brasil é um negócio novo, em comparação com a indústria e o setor financeiro, que se desenvolveram primeiro'', explica Maria Aparecida Fonseca, diretora executiva de Recursos Humanos do Grupo Pão de Açúcar.
O problema é agravado pela falta de preparo específico para o setor, nas escolas profissionalizantes. ''O ensino técnico não forma muitos profissionais voltados para o varejo'', afirma a diretora.
A maior lacuna é na contratação de padeiros, confeiteiros, açougueiros e peixeiros. ''Esses são nossos grandes especialistas, nossas 'moscas brancas'. Simplesmente não encontramos profissionais prontos nessas áreas.''
A solução foi criar programas internos para capacitar esses profissionais. A formação é completa - um açougueiro, por exemplo, precisa ter conhecimentos de manipulação e conservação dos produtos e também estar atento a tendências de consumo, como novos cortes de carnes e aves. Além disso, aprendem como atender bem à clientela.
Para isso, o grupo varejista desenvolveu uma estrutura de 50 lojas ''formadoras'' em todo o País, onde os grupos são treinados por profissionais mais experientes. À medida que aprendem o ofício, galgam novas posições nas lojas. ''Isso permite que sejamos mais flexíveis em relação à escolaridade dos candidatos. Ter concluído o ensino médio é desejável, mas não é requisito fundamental'', diz Maria Aparecida.
Para vagas que requerem nível superior, no entanto, sobram candidatos. O último programa de trainees da rede atraiu 38 mil currículos - para 20 vagas.
Para o economista Cláudio de Moura Castro, especialista em educação, a falta de preparo da mão-de-obra para o varejo é fruto do pouco envolvimento do setor com o ensino profissionalizante. ''O que vemos são iniciativas isoladas, de um ou outro grupo varejista. Não há uma ação organizada do setor para formar profissionais. A indústria tem mais protagonismo'', avalia.


