Escassez de oferta eleva arroba em 5,5%
Guto Rocha
De Londrina
As cotações do boi gordo subiram 5,56% ontem em relação ao dia anterior no Paraná . A arroba que era negociada a R$ 36,00 na segunda-feira, passou a ser cotada a R$ 38,00/@ ontem. Ainda assim os frigoríficos tinham dificuldades para encontrar animais para o preenchimento de suas escalas de abate desta semana.
Segundo o consultor da FNP Consultoria e Comércio, de São Paulo, Danilo Fiorini Júnior, a escassez de ofertas é provocada pela falta de chuvas que prejudicam as pastagens. Ele observou que antes das chuvas registradas nos dias 14 e 15 de setembro, os pecuaristas venderam os animais que já haviam atingido o peso ideal para abate. Com a volta da estiagem, os criadores não conseguiram engordar os animais mais magros que sobraram. Isso reduziu a oferta de animais provocando a alta dos preços.
O consultor da FNP observou que este comportamento do mercado é considerado normal nesta época do ano. O problema é que a seca e a falta de animais acaba favorecendo as especulações, comentou. Ele observou que os participantes do mercado (pecuaristas e frigoríficos) acabam se esquecendo que nos dois últimos anos, as pastagens não enfrentaram o problema da seca. O El Niño trouxe chuva nos dois anos passados. Agora enfrentamos a falta de chuva provocada pelo fenômeno La Niña, disse.
Júnior observou ainda que a desvalorização do real frente ao dólar favoreceu as exportações em detrimento das importações que recuaram. O consultor afirmou que no ano passado, a arroba do boi gordo neste período do ano estava cotada a US$ 24,00, contra os atuais US$ 21,00. Com o aquecimento da demanda de outros países pelo produto brasileiro, o boi gordo acabou ficando mais disputado no mercado interno, disse. Ele estima que as exportações brasileiras de carne bovina este ano devem praticamente dobrar em relação ao ano passado, fechando o ano com o embarque de 500 mil a 600 mil toneladas do produto.
O diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Carne e Derivados do Paraná (Sindicarne-PR), Péricles Pessoas Salazar, confirma a dificuldade que os frigoríficos estão enfrentando para comprar animais prontos para o abate. Ontem os abatedouros não conseguiram adquirir boi gordo para escala de quinta-feira, afirmou.
Com a escassez de ofertas animais, disse Salazar, o mercado da carne também sofre um enxugamento, provocando alta do produto. Segundo ele, a quilo do traseiro (parte do animal com carne mais nobre) acumula alta de 21,5% em um mês. Ontem, o traseiro foi cotado a R$ 3,10, com alta de 7% sobre os R$ 2,90 praticados na semana passada. Isso acaba refletindo nos preços do mercado do boi gordo também, comentou.
Reposição Segundo o diretor da Programa Leilões de Londrina, Paulo Horto, apesar de os preços do mercado de reposição terem como base o preço da arroba do boi gordo, a alta deste mercado ainda não refletiu na reposição. Com os pastos secos, não há interesse por animais de reposição, comentou. Mas as cotações destes animais, segundo Horto, podem subir bastante quando as chuvas voltarem.
Segundo o Sindicarne-PR, o bezerro com idade entre 8 e 12 meses tem cotação média de 260,00. O garrote (18 a 24 meses) é cotado em média a R$ 350,00 e o boi magro (mais de 30 meses) vale em média R$ 400,00.





