Escândalos seguram a economia
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sexta-feira, 29 de julho de 2005
Reportagem Local 
A falta de uma política clara e ações efetivas do governo federal para o fortalecimento da economia está amarrando o mercado. Empresários ficam com a impressão que o único projeto que o governo tem é o de arrecadação. É o que diz o presidente do Sindicato das Empresas de Serviços, Assessoria, Contabilidade e Perícia de Londrina (Sescap-Ld), José Joaquim Ribeiro.
Segundo ele, o governo criou o ''engodo'' do Fome Zero para distrair a atenção da população, manteve a cobrança da CPMF, segura os juros nas alturas, não reduz a carga tributária e quer que haja crescimento. ''Parece que o único projeto concreto do governo é o de arrecadação. Arrecadação para os cofres do Estado, para chegar ao superávit primário e também para arrecadar fundos para os partidos aliados. Não há economia que suporte isso'', diz Ribeiro.
Para agravar a situação, a crise política, com denúncias sobre mensalão, financiamento partidário com dinheiro não contabilizado também conhecido como Caixa 2 , ao contrário do que parece, está atrapalhando sim o andamento da economia, afirma ele. Segundo Ribeiro, nos últimos dias o mercado deu sinais de que a suposta calmaria no setor pode estar no fim. ''Na terça-feira o Ministério do Planejamento revisou para baixo a estimativa de crescimento para 2005, de 4% para 3,4%. É a mesma projeção do Banco Central. Ou seja, uma redução de 15% na expectativa do incremento do Produto Interno Bruto (PIB), feita no início do ano. Isso significa menos emprego, menos investimentos'', aponta.
Segundo, Ribeiro, a organização das finanças do governo é baseada na arrecadação e não no incentivo ao crescimento da economia, por isso a economia não consegue deslanchar como poderia. ''Os órgãos de fiscalização apertam o quanto podem os empresários, principalmente os pequenos, para arrecadar mais, no entanto não há uma ação efetiva para melhorar o desempenho da economia'', afirma ele.
De acordo com Ribeiro, a crise política simplesmente paralisou os trabalhos no Congresso, colocando para escanteio a discussão da Reforma Tributária. Conforme o presidente do Sescap-Ld, pior do que a sede arrecadadora do governo, a carga excessiva de impostos e a indefinição sobre a Reforma Tributária são as taxas de juros cobradas pelo sistema financeiro. ''Todo empresário precisa de credito para lançar produto, abrir filial, aporte de capital. Não há empresa que esteja iniciando e mesmo as já estabelecidas que não precisem de crédito, seja para aumentar a produção, abrir filiais, capital de giro. Porém, com as taxas existentes no mercado, é impossível fazer empréstimos'', diz.
Para Ribeiro, é preciso que as linhas de crédito sejam mais realistas, compatíveis com rentabilidade das empresas, para que os empresários possam investir. ''Se o governo continuar pensando só em arrecadar, ele vai continuar travando o crescimento da economia. Hoje a economia só não está em situação mais complicada por causa da teimosia dos empresários. Apesar da crise política, o governo precisa acabar com essa inércia''.


