Novas denúncias da imprensa sobre o caso do superfaturamento das obras do Fórum Trabalhista em São Paulo agitaram o mercado financeiro. Principalmente porque, desta vez, as denúncias envolveram diretamente o presidente Fernando Henrique Cardoso e o ministro Martus Tavares (leia na página 4 do primeiro caderno).
O estrago foi generalizado. A Bovespa fechou em forte queda de 3,57%, com volume financeiro de R$ 557 milhões. Das ações que compõem o Ibovespa, apenas duas subiram. As demais foram ladeira abaixo.
Para piorar o cenário, que já não era dos melhores, o presidente do STF, Marco Aurélio de Mello, considerou inadequado o recurso da Advocacia-Geral da União e manteve a liminar que impede o leilão do Banespa. Resultado: os papéis ordinários do banco paulista despencaram 7,74% e os preferenciais, 6,37%.
O dólar, depois de passar todo o dia em alta, fechou com significativa valorização de 0,55%, cotado a R$ 1,8130. Também na BM&F, os contratos de câmbio futuro dispararam ontem. ‘‘Apesar do cenário econômico favorável, a possibilidade de envolvimento do presidente em um escândalo de superfaturamento acabou prevalecendo’’, comentou um operador.
Mas a tensão seria ainda maior no período da tarde, quando as mesas de operações foram tomadas por boatos. O dólar atingiu a sua maior cotação do dia, sendo negociado a R$ 1,8160 (+0,72%). Operadores comentam que, nesse preço, o dólar ainda está num patamar confortável.
(Márcia Pinheiro, Marisa Castellani e Mario Rocha)

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