A volatilidade nos preços do petróleo deixou o mercado de câmbio nervoso. O dólar comercial subiu 0,64%, para fechar a R$ 1,874 (venda), a maior cotação desde dezembro do ano passado. Na abertura dos negócios, pela manhã, o agravamento da crise no Oriente Médio iniciada anteontem – quando não houve negócios no Brasil devido ao feriado –, fez com que o dólar chegasse a ser cotado a R$ 1,884.
Na opinião de Paulo César Mora, da Safic, o mercado abriu em forte alta ‘‘para corrigir a quinta-feira’’, que foi muito tensa no mercado internacional. ‘‘Como o mercado lá fora foi melhorando no decorrer do dia, tivemos certa recuperação.’’ O impacto negativo que o aumento dos preços do petróleo pode ter nas contas externas do país é um dos motivos que forçaram a alta do dólar.
A recuperação das Bolsas norte-americanas e a queda nos preços do petróleo na tarde de ontem ajudaram a fazer com que o dólar fechasse abaixo do nível máximo alcançado pela manhã. Operadores disseram que se o mercado tivesse funcionado normalmente, seria pior.
O dólar paralelo também refletiu as oscilações no preço do petróleo, que ontem fechou, em Nova York, a US$ 34,99 por barril, em queda de US$ 1,07. A moeda norte-americana terminou o dia cotada no Brasil a R$ 2,01 para a venda.
CombustívelA defesa de um reajuste nos preços dos combustíveis ainda neste ano, em resposta à alta do petróleo, é uma opinião crescente entre os economistas brasileiros. O ex-diretor de Política Monetária do BC Alkimar Moura e o economista José Márcio Camargo, da PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro) defenderem o reajuste ontem. Camargo disse que, ao reprimir a alta da gasolina, o governo está tirando dos pobres (dos impostos) para evitar que os mais ricos, consumidores de gasolina, paguem o preço real.
Mas o ministro da Fazenda, Pedro Malan, reafirmou ontem que este não é um bom momento para o governo brasileiro tomar alguma decisão sobre o reajuste dos combustíveis porque a ‘‘volatilidade nos preços é grande’’.