Escalada da moeda americana traz risco de alta da inflação
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 21 de setembro de 2001
Agência Folha<br> De Brasília 
A principal preocupação do governo com a alta do dólar é com o repasse desse custo para os preços em geral, o que gera inflação. Para controlar a cotação, o governo também acaba aumentando a emissão de títulos indexados ao câmbio, o que eleva significativamente o endividamento público a cada subida do dólar.
Segundo o memorando de política econômica assinado com o FMI, 38% do aumento da inflação no primeiro semestre deste ano é devido ao repasse da desvalorização cambial para as tarifas públicas e outros preços.
No caso das tarifas de energia, os contratos com as empresas permitiam o repasse da inflação e de parte da variação cambial. Como essa variação está muito alta, o governo decidiu autorizar o repasse integral a partir de agora.
Os preços dos combustíveis também sofrem influência direta do preço do dólar porque a Petrobras cobra preços internacionais pelos seus produtos. Embora o preço da gasolina seja controlado, o governo adotou uma fórmula trimestral de reajustes que praticamente repassa toda a variação do preço do barril de petróleo e do dólar para os preços. O próximo reajuste será no mês que vem (leia mais na página 2).
Até agosto, 29% da dívida mobiliária (em títulos públicos) do governo estava indexada ao dólar. Quando a cotação sobe, essa parcela é valorizada. Os técnicos do governo lembram que o movimento contrário também pode acontecer, mas a emissão dos títulos torna mais arriscado o controle sobre a rolagem da dívida.
Um dos movimentos positivos da alta do dólar seria a melhoria do saldo da balança comercial. Com o real desvalorizado, os exportadores recebem mais pelos seus produtos no exterior e os importadores vêem os preços de seus produtos subirem rapidamente, o que pode reduzir as compras. As pesquisas que o BC tem feito no mercado financeiro indicam que os analistas já esperam uma reversão da tendência de déficits anuais na balança para 2002.


