Esalq desenvolve laranjas transgênicas
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terça-feira, 20 de setembro de 2005
Gustavo Porto<br> Agência Estado 
Ribeirão Preto - Parceria entre a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) e o Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), feita em 1999 para o desenvolvimento de variedades cítricas transgênicas resistentes às principais doenças e pragas, começa a dar resultados. De acordo com Francisco de Assis Mourão Filho, professor do Departamento de Produção Vegetal da Esalq/USP, por meio das pesquisas foram criadas variedades das principais laranjas usadas comercialmente, com genes de resistência e tolerância a doenças como cancro cítrico, clorose variegada dos citros (CVC), morte súbita dos citros (MSC) e gomose.
''Temos em nossas estufas plantas transgênicas de laranja hamlin, pêra, valência e natal contendo genes que podem conferir tolerância ao cancro cítrico e à CVC. Plantas de limão-cravo, já regeneradas e aclimatizadas, também apresentam maior potencial para tolerância à MSC e à Gomose'', informa Mourão.
De acordo com o pesquisador, os ''ensaios biológicos e moleculares, já em andamento, poderão confirmar essa hipótese''. Além de Mourão, as pesquisas são coordenadas pela professora Beatriz Januzzi Mendes, do Laboratório de Biotecnologia Vegetal do Cena.
De acordo com o coordenador, os estudos são desenvolvidos com o intuito de estabelecer uma estratégia de controle de doenças de grande impacto econômico na cultura dos citros. ''Os trabalhos iniciais visaram ao ajuste do processo de cultura de tecidos para regeneração de plantas cítricas a partir de cultivo in vitro. Em seguida, realizamos pesquisas para a otimização do protocolo de transformação genética de plantas cítricas para, então, concentrarmos esforços na introdução de genes de interesse agronômico'', explicou.
No processo, diversos genes são identificados e investigados, permitindo que o processo de transgenia possa ser definitivamente incorporado aos sistemas tradicionais de melhoramento de plantas. No caso das plantas cítricas, as estratégias já são aplicadas com o uso de genes que possam ativar seu sistema de defesa, bem como genes derivados do próprio patógeno causador da doença e também procedentes de outros organismos com ação antimicrobiana. Desta forma, alguns destes genes podem conferir resistência às plantas cítricas.
Mesmo com a produção de plantas transgênicas longe de atingir um processo em escala, Mourão destaca que os estudos vêm evoluindo e poderão contribuir no combate das doenças dos citros.


