Agência Estado
RIO - O estado do Espírito Santo saiu na frente na adoção de medidas para redução do Custo Brasil. Um acordo recente assinado entre os sindicatos dos trabalhadores portuários e empresas operadoras do Porto de Vitória para operação do Porto durante 24 horas provocará uma economia de mais de 30% nos custos portuários para os armadores. Além disso, a longo prazo, aumentará o movimento de cargas em cerca de 20%. Em outras palavras, esse convênio poderá levar o Rio de Janeiro a perder cargas para o Espírito Santo.
A estratégia não contou com a participação do governo local e tampouco com a da Companhia Docas do Espírito Santo, conforme informou sua assessoria. Foi uma iniciativa dos trabalhadores, que abriram mão de receber vultosas horas-extras, em conjunto com empresas operadoras, mas, no fim das contas, o Estado sairá ganhando com a decisão.
‘‘Mais cargas no Porto significa mais dinheiro para os cofres do Estado’’, diz o presidente do Sindicato dos Estivadores do Espírito Santo e coordenador do Intersindical, Jetro Dantas. ‘‘O que adiantava ganhar muito, no papel, de horas-extras, se, na prática, não havia movimento de carga nesses horários?’’, argumenta Dantas, acrescentado que os trabalhadores do Recife, que antes criticaram o acordo, passaram a elogiá-lo.
Antes disso, em novembro do ano passado o governo capixaba assinou um acordo de cabotagem com os sindicatos ligados ao Porto de Vitória. Por esse acordo, o transporte de cabotagem e de cargas no Mercosul terá uma redução de custos de 20%. ‘‘O objetivo é tirar a carga das estradas e transferi-las para o mar’’, afirma Dantas. ‘‘O governo assumiu o compromisso de tornar viável, politicamente, o que for necessário para o acordo.’’
O secretario estadual de Fazenda do Espírito Santo, Rogério Medeiros, enfatizou que a economia cabixaba tem como ponto forte o setor portuário, em função da sua posição privilegiada geograficamente. ‘‘Hoje trabalhamos no sentido de direcionar a economia para o Porto’’, disse Medeiros. Além disso, o governo também vem atuando no sentido de estimular a agricultura, estimulando determinadas culturas e promovendo um movimento mrigratório das cidades para o campo.
Segundo Medeiros, atualmente 84% da carteira de empréstimos do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) estão no setor agrícola. O secretário informou que há alguns anos os financiamentos do Bandes estavam concentrados nas cidades, especialmente em Vitória. Integrando a produção agrícola à estrutura portuária, o governo consegue estimular as exportações no estado.

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