O chamado ‘‘bug’’ do milênio (que os técnicos do ramo resumem para Y2K) é um pecado cometido pela boa intenção dos pioneiros da programação de computadores: o de registrar os anos na máquina com apenas dois dígitos: 1998 = 98. Era para economizar o precioso espaço dos cartões perfurados... Pois esse barato vai sair muito caro. A correção do Y2K virou questão de vida ou morte. Sem ela, os governos param de funcionar, os bancos (ou os correntistas e investidores) podem acumular perdas devastadoras, os sistemas de transporte computadorizados entram em colapso, os reatores nucleares ficam na marca de pênalti...
A fuzarca já começou. Nenhuma administradora de cartão de crédito está emitindo validade para o ano 2000. O terminal da loja da esquina não aceita cartão de 1900, antes da invenção do próprio. Essa é a primeira ponta do iceberg daquilo que o Gartner Group chamou, na semana passada, de ‘‘a maior crise jamais enfrentada pela infra-estrutura mundial da informação’’. Algo mais que um simples cochilo de software.
Outra consultoria de plantão, a Forrester Research, simula um colapso para o mercado de ações global no primeiro dia útil do ano 2000, segunda-feira, dia 3. Na simulação, as perdas diretas e indiretas do Y2K não resolvido chegariam a US$ 3 trilhões. Chute? Na mesma linha, a Software Productivity Research, de Boston, calcula o estrago global em US$ 3,6 trilhões.
Teoricamente, a solução é infantil: ordenar ao computador para adicionar 19 a todas as datas existentes e aceitar, doravante, apenas anos de quatro dígitos. Na prática, a dor de cabeça não tem tamanho. De tal sorte, que o Y2K continua desafiando todos os gênios da computação, sentados sobre orçamentos de bilhões de dólares. E o 1º de janeiro de 2000, ano bissexto está logo ali, na segunda curva.
Segundo a Dataquest Inc., os bancos americanos já gastaram nessa reparação digital perto de US$ 12 bilhões. O governo americano, o federal, outros US$ 8 bilhões. Com o detalhe: apenas 37% das 5 mil maiores empresas americanas, consumidoras de computação, estão investindo tempo e dinheiro na remoção cirúrgica do ‘‘bug’’.
Ou seja: para o Titanic da indústria mais fantástica e arrogante da História, o mar está calmo e o céu é azul.SECOS & MOLHADOS
Bomba-relógio

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