A cada safra se agrava o processo de erosão das áreas rurais nos municípios de Contenda, Araucária e Balsa Nova, na Região Metropolitana de Curitiba. O processo é tão intenso que está atingindo o meio urbano dessas cidades. Conforme denúncia do produtor Iolando Wojcik e representante da Organização Não-Governamental (ONG) Écorios, 80% das terras saem das lavouras e invadem estradas, rios e até casas.
Para reverter esse processo de agressão ao meio ambiente, estiveram reunidos ontem na Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, representantes dos produtores e de entidades de defesa ambiental. O problema é que nesses municípios, as área rurais são de acentuada declividade e os produtores não respeitam a legislação ambiental, que determina a preservação e conservação do meio ambiente e dos solos.
Conforme Wojcik, os produtores (grandes e pequenos) continuam plantando ‘‘morro abaixo’’, sem qualquer técnica de conservação de solos. Na ânsia de ocupar todos os espaços disponíveis não estão respeitando as áreas de preservação ambiental como as cabeceiras e a faixa de 30 metros próxima às margens dos rios.
O engenheiro agrônomo Filipe Braga, do Departamento de Fiscalização da Secretaria da Agricultura, disse que a fiscalização e orientação aos agricultores será intensificada nesses municípios. Mas adiantou que sem o envolvimento das ONGs e representantes da comunidade é difícil a conscientização do agricultor.
Segundo o secretário da Agricultura de Balsa Nova, Luiz Fernando Pacheco da Costa, está havendo uma exploração excessiva da capacidade do solo, com os plantios sucessivos de batata, milho e feijão, sem que o agricultor se dê conta que está acabando com o potencial de produção de suas terras. Ele apresentou como alternativa o cultivo de fruticultura, silvicultura (para extração de madeira), pecuária leiteira e apicultura entre outras.
A Secretaria da Agricultura colocou à disposição das entidades que participaram da reunião melhor uso do Programa Paraná 12 Meses, que destina recursos para adoção de técnicas de preservação e conservação dos solos. De acordo com o chefe do núcleo regional da Seab em Curitiba, Pedro Orlando Sardá, o pequeno agricultor pode ter acesso a esses recursos desde que se enquadrem nos critérios definidos pelas Comissões Municipais, que já atuam nos municípios.

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