São Paulo - Foi enterrado por volta das 17h30 de ontem o empresário Antonio Ermírio de Moraes, presidente honorário do Grupo Votorantim. Acompanhada por familiares e executivos do grupo, a cerimônia encerrou-se às 17h35, no Cemitério do Morumby, na zona sul de São Paulo. Cerca de 100 pessoas presenciaram a oração que precedeu o baixar das cordas com o corpo do empresário.
Ermírio de Moraes, 86, morreu de insuficiência cardíaca, em casa, em São Paulo, na noite de domingo. Ele deixa a mulher com quem teve nove filhos. O executivo teve o diagnóstico de Alzheimer e hidrocefalia confirmados em 2006 e afastou-se da gestão do grupo em 2008.
No velório de Moraes, que começou na manhã de ontem no Hospital Beneficência Portuguesa, sua filha Regina disse que o legado do empresário é de "muita humildade" e que seus valores e princípios "são eternos". "Meu pai sempre falava que o que a mão direita dá, a esquerda não precisa saber. Muitas das pessoas que ele ajudou eu só vim a saber por meio do livro do Pastore (José Pastore, autor da biografia de Ermírio e professor da USP). A humildade não era só da boca para fora", disse.
Desde o começo da manhã de ontem, familiares e amigos de Moraes se despediram em evento aberto ao público, Regina disse que a família está "conformada" com a situação e "em paz". Ela agradeceu o carinho de todos. "A gente não tem noção do carinho, mas as pessoas vão chegando e falando. Queremos agradecer a todo mundo que rezou e orou todo esse tempo."
Mencionado por Regina, o biógrafo do empresário, José Pastore, também destacou a generosidade de Moraes. "A grande lição que ele deixa é a generosidade. Ele dizia que, para um homem rico era muito fácil assinar um cheque e doar, mas ele queria vir aqui (Hospital Beneficência Portuguesa) para ajudar na administração." Em 2013, Pastore, que conviveu por mais de 35 anos com o empresário, escreveu sua biografia "Antônio Ermírio de Moraes, Memórias de um Diário Confidencial".

Carreira
Moraes era engenheiro metalúrgico formado pela Colorado School of Mines (EUA) e iniciou a carreira na Votorantim em 1949. Ele foi responsável pela instalação da Companhia Brasileira de Alumínio, em 1955. Em 1986, o empresário se lançou candidato pelo PTB ao governo do Estado de São Paulo, perdendo para o ex-governador Orestes Quércia (PMDB). Em entrevista à colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, em 2000, o empresário disse que se candidatou ao governo para combater Paulo Maluf. "Não voto em Maluf de jeito nenhum", disse Ermírio. "Nunca votei e nunca votarei."
Moraes publicou ao menos cinco livros e escreveu por 17 anos uma coluna dominical na Folha de S.Paulo, mas seu principal hobby era o teatro. Ele escreveu e produziu três peças teatrais que focalizavam os problemas brasileiros e foram representadas em várias cidades do País: "Brasil S.A.", "SOS Brasil" e "Acorda Brasil". As atividades como escritor lhe garantiram a cadeira 23 da Academia Paulista de Letras.
O empresário também dedicou parte da sua vida a atividades filantrópicas em instituições como a Cruz Vermelha Brasileira e a Sociedade Beneficência Portuguesa de São Paulo. Moraes construiu um dos maiores impérios econômicos do País, sendo liderança empresarial ímpar em mais de 50 anos de história brasileira.

Imagem ilustrativa da imagem Ermírio de Moraes foi enterrado ontem