Equitel vai suspender parte da produção por causa do Siscomex
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sábado, 08 de fevereiro de 1997
Carmem Murara Sucursal de Curitiba 
Arquivo FolhaPrejuízoA Equitel é maior importadora do Estado, com US$ 300 milhões de compras por ano: produção comprometidaA fábrica de componentes eletrônicos Equitel deverá ter parte da produção comprometida neste mês por causa do novo sistema de importação de produtos Siscomex (Sistema Integrado de Comércio Exterior). Desde que entrou em vigor, no dia 1º de janeiro, o Siscomex tem provocado um atraso médio de 20 dias na liberação de mercadorias importadas. Em janeiro, a Equitel parou alguns setores da linha de produção por diversos dias, por falta de componentes. A situação se repetirá com mais intensidade neste mês.
A previsão nada otimista foi feita pelo gerente de suprimentos da Equitel, José Antonio Ribas Ribeiro. Ele se baseia nos estoques de produtos que a empresa tem. Só não paramos mais em janeiro porque a empresa se antecipou e importou mais em dezembro, já prevendo os problemas que poderiam ter com o Siscomex, afirmou Ribeiro. Mas agora, todos os produtos importados pela Equitel precisam passar pelo Siscomex.
A Equitel desembaraça uma média de 280 processos por mês. Eles ficavam parados por três dias, no máximo, na Estação Aduaneira do Interior (Eadi), um entreposto para o desembaraço de mercadorias que fica na Cidade Industrial de Curitiba. Com o Siscomex, o número de processos desembaraçados caiu para 150 em janeiro. Ontem, havia 200 encomendas na fila do Eadi, aguardando a liberação.
O setor mais atingidos na Equitel foi o de montagem de placas, que ficou parado por falta de componentes. Ribeiro disse que a empresa tinha 80% do material para fazer as placas, mas não conseguia liberar os 20% restantes. O maior problema foi perder o ritmo da produção, disse o gerente de suprimentos.
Hoje, 60% valor dos materiais usados na linha de produção da Equitel são importados. Os componentes vêm principalmente da Alemanha, Estados Unidos e sudeste Asiático. A importação é feita pelos aeroportos de Guarulhos (SP) e Viracopos (Belo Horizonte-MG). A carga chega à Estação Aduaneira do Interior e é liberada para a empresa.
Considerada a maior importadora do Estado, a Equitel importa US$ 300 milhões em componentes por ano. Deste total, 20% são recolhidos para o Imposto de Produtos Importados (IPI).
A Equitel admite que vai atrasar a entrega dos produtos para os clientes. O atraso pode chegar a um mês. A empresa começou a negociar com as principais compradoras para não pagar multas devido ao atraso. Por enquanto, a empresa não tem cálculos de prejuízos. Mas há uma estimativa de que houve um aumento entre 3% e 5% no custo da produção.


