A Equitel, indústria de componentes para telecomunicações, baseada na Cidade Industrial de Curitiba, fecha o ano com faturamento e lucro líquido superiores ao registrado pela sua controladora, a Siemens. A Equitel registrou em 1996 lucro líquido de US$ 28,5 milhões, quase 100% maior do que o resultado do ano passado, que alcançou a US$ 14,7 milhões. O faturamento da empresa passou de US$ 383 milhões para US$ 574 milhões, com um crescimento de 49,8%.
A Siemens, que tem sua principal atuação no setor de geração, transmissão e distribuição de energia, fecha o ano com vendas 41% maiores que as realizadas no ano passado, faturando US$ 531 milhões em 1996. O lucro líquido da Siemens, entretanto, foi negativo em US$ 2,1 milhões. Os resultados das duas empresas foram anunciados ontem, em São Paulo.
O presidente da Siemens, Herman Wever, atribuiu o fato às exportações. Segundo ele, a política cambial brasileira defasou o dólar em 15% em relação ao real e deixou os produtos fabricados no país menos competitivos no mercado internacional. Wever informa ainda que ao mesmo tempo houve aumento nos custos administrativos e citou como o exemplo o aumento de 60% nos salários desde a implantação do Plano Real.
O grupo Siemens do Brasil, que possui nove fábricas no País e 15 escritórios, além da Equitel de Curitiba e Manaus, controla também a Icotron, Coelma, Maxitec e Osran. O grupo encerrou o seu ano fiscal com um faturamento líquido de US$ 1,3 bilhão, o que representou um crescimento de 20% em relação ao exercício anterior. O lucro líquido da Siemens do Brasil, antes do Imposto de Renda no período até 30 de setembro, quando encerra seu ano fiscal, chegou a US$ 43,2 milhões.
A Equitel foi a principal responsável pelo resultado positivo do grupo Siemens. A projeção para 1997 é de que a empresa cresça mais 20% sobre os resultados deste ano. Os números da empresa com sede em Curitiba refletem os investimentos do setor público em telecomunicações.
O presidente da Equitel, Verner Diettmer, explica que o crescimento dos investimentos públicos do sistema Telebrás no setor foi o motivo do salto da empresa em faturamento.
O setor público injetou em telecomunicações, neste ano, US$ 7,1 bilhões contra US$ 4,1 bilhões em 1995. As estatais de telecomunicações representam 75% do faturamento da Equitel, que fornece centrais de telefonia pública digital. O setor privado da empresa, conta com 13 mil clientes ativos, entre bancos e indústrias.
- A repórter Maria Teresa Martins viajou a São Paulo a convite da Equitel.

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