Brasília - Avisada um dia antes da decisão, a equipe econômica considerou que o rebaixamento da nota brasileira pela agência Fitch mostra que o governo não consegue passar uma mensagem de unidade na área fiscal e espelha sua fragilidade na votação de medidas econômicas no Congresso Nacional. Segundo assessores presidenciais, a decisão da Fitch chega num péssimo momento, com o governo acuado pelo processo de impeachment contra a presidente Dilma, e tende a piorar o cenário econômico neste final de ano. O rebaixamento foi informado à presidente na última terça-feira.
Em nota, o Ministério da Fazenda afirmou que a decisão da agência "remete às dificuldades oriundas do ambiente político e da capacidade e da determinação do governo em implantar medidas para corrigir o deficit orçamentário de 2016".

MERCADO

Também em nota, o Banco Central disse que o rebaixamento "não altera o sentido ou a intensidade do ajuste macroeconômico em curso, que já demonstra resultados concretos". No caso do BC, a principal ação tem sido por meio da taxa básica de juros, hoje em 14,25% ao ano. O BC afirmou que "a consolidação da posição fiscal seguirá avançando" e que se prevê uma importante queda da inflação em 2016, fatores que a instituição vê como essenciais para a recuperação da atividade econômica. Sobre uma possível reação do mercado, acrescentou que o Brasil possui "robustos colchões de liquidez", como reservas em dólar, para atenuar ajustes no câmbio e para reduzir excessiva volatilidade no mercado.
O presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Robson Andrade, disse que o rebaixamento já era esperado e que a preocupação agora deve ser recuperar o selo de bom pagador. Já senadores de oposição avaliaram que a medida demonstra a falta de credibilidade que o governo tem na economia. "O Brasil precisa do início de um novo ciclo de governo que restaure a confiança e credibilidade perdidas e que nos permita a adoção de uma agenda de reformas estruturais para garantir a recuperação das contas públicas, o crescimento e as conquistas sociais. Infelizmente, o governo não tem credibilidade para liderar este processo", afirmou o senador Aécio Neves (MG), presidente nacional do PSDB, em nota.

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