As previsões do economista Rudiger Dornbusch de que o Brasil é um ‘‘candidato muito provável’’ a passar por uma crise cambial semelhante à da Tailândia foram recebidas com indiferença pela equipe econômica. O ministro da Fazenda, Pedro Malan, comentou por meio de sua assessoria que o aumento das exportações, a redução do ritmo das importações e a garantia de que a conta brasileira nas suas trocas de comércio e serviços com exterior não caminha para um déficit exponencial afastam o risco de uma crise. No Banco Central, a ironia marcou a resposta às novas críticas do economista. ‘‘Desta vez o Dornbusch até bateu leve’’, disse um assessor da presidência do BC.
As novas previsões do economista não merecem consideração, na avaliação da assessoria do BC, porque no mês passado as reservas internacionais fecharam no nível recorde histórico de US$ 59,5 bilhões, no conceito de caixa, o que define a disponibilidade, de fato, de dólares do País. Esta posição das reservas, segundo os assessores, significa que na hipótese de qualquer ataque especulativo contra o real o governo tem munição para frear a ação especulativa.
Dornbusch afirmou que o governo deveria agir previamente (antes do período das eleições presidenciais do próximo ano), fazendo o câmbio flutuar livremente para corrigir a valorização de cerca de 25% do real frente ao dólar.

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