Equipe econômica descarta reeditar a 'Nova Matriz'
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sábado, 10 de dezembro de 2016
Agência Estado 
São Paulo - A equipe econômica descarta adotar medidas que signifiquem a volta da "Nova Matriz Macroeconômica", do governo Dilma Rousseff. Apesar de aliados do governo e empresários condenarem a política petista que detonou as contas públicas, um raio-X das propostas que estão sendo levadas a Brasília aponta o mesmo receituário de risco: mais crédito pelos bancos públicos, redução acelerada da Selic e dos juros cobrados pelos bancos públicos, além de menos exigências de garantias.
Os empresários querem a reedição do Refis (o programa de parcelamento de débitos tributários), uso do FGTS para o pagamento de dívidas, emissão de debêntures pelo BNDES para adquirir participação no capital das empresas com dificuldade financeira e liberação de depósitos compulsórios para concessão de crédito a empresas inadimplentes. Também está na lista a flexibilização dos parâmetros de análise para a concessão de crédito tanto para pessoa física quanto para jurídica.
A Nova Matriz teve como base uma política fiscal expansionista, juros artificialmente baixos, crédito barato fornecido por bancos estatais e câmbio desvalorizado.
Como apurou o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, o Ministério da Fazenda já avisou que não vai repetir o Refis. A equipe econômica também é contrária à liberação do FGTS para que trabalhadores quitem empréstimos com bancos. Essa proposta, que já havia sido cogitada na época do ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa, enfrenta resistências no conselho curador do FGTS.
O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, descartou esta semana a possibilidade de a instituição liberar os depósitos compulsórios para estimular a economia. Segundo ele, essa medida "não se coloca" e o sistema financeiro nacional é líquido e capaz de suprir qualquer necessidade de recursos para a retomada.
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, quer que essas medidas só comecem a ser anunciadas em janeiro. Ele trabalha em medidas regulatórias para facilitar a renegociação de dívidas das empresas, mas nenhuma delas que possa colocar em risco a saúde dos bancos. "A Fazenda não vai aceitar nenhuma loucura", disse uma fonte da pasta que avalia que há integrantes do governo que ainda não "viraram a chave" e insistem na proposta de medidas na mesma linha da Nova Matriz. A Fazenda trabalha com o apoio do Banco Mundial na elaboração de medidas que facilitam a melhoria do ambiente de negócios.


