Brasília - Até o governo do petista Luiz Inácio Lula da Silva reconhece: o Plano Real teve o mérito de derrubar a inflação e mantê-la sob controle. Mas a equipe do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, considera que houve alguns erros na condução do Plano. Erros que elevaram o preço da fatura que a sociedade brasileira tem pago pela estabilidade. A cobrança vem na forma de baixo crescimento econômico e desemprego.
Para o governo atual, Fernando Henrique Cardoso cometeu dois equívocos: negligenciar o desequilíbrio fiscal e usar a âncora cambial por um prazo além do recomendável. Como resultado, as contas externas se deterioraram, as taxas de juros foram mantidas no alto e a dívida pública explodiu. A carga tributária passou de 26% para 36% do Produto Interno Bruto (PIB).
A avaliação da equipe de Palocci consta de vários documentos, como a exposição que o ministro fez ao Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) em maio passado. A mesma leitura está no documento ''Política Econômica e Reformas Estruturais'', divulgado em abril de 2003.
Ao indicar as falhas na implementação do Real, Palocci e seu time procuram mostrar as raízes do ''grave quadro de deterioração'' que dominou a economia durante a transição entre o atual e o antigo governo. Dessa forma, tentam explicar por que o primeiro ano de Lula foi quase totalmente dedicado a trazer de volta o equilíbrio macroeconômico, à custa de medidas duras como a elevação do juro básico para 26,5%.
''Só quero cometer erros novos'', costuma dizer o ministro Palocci quando se refere aos choques heterodoxos que antecederam o Real. É como costuma afastar propostas do tipo ''vamos crescer mais rápido, vamos forçar os juros para baixo mesmo que isso traga um pouco mais de inflação''. Por enquanto, tem dado certo. A taxa de juro real média de 2004 está em 9,3%, o nível mais baixo após o Real. E, pelas projeções do Banco Central, a inflação deverá ficar dentro da margem de tolerância da meta, ou seja, um pouco acima de 5,5%. (AE)

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