Equipamentos piratas na mira da Polícia Federal
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 29 de outubro de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba A Polícia Federal (PF) do Paraná está intensificando a apreensão de equipamentos de informática piratas em função do aumento das vendas dos produtos oriundos do Paraguai. Esta semana, a PF flagrou três caminhões e uma perua Kombi cheia de computadores de uso pessoal e notebooks tendo a mercadoria descarregada em três lojas de informática e também num depósito em Colombo, Região Metropolitana de Curitiba.
Nas demais regiões do Estado, as apreensões são diárias em decorrência da passagem da mercadoria pelo Paraná, quando é destinada para outros Estados. Em Foz do Iguaçu, considerada porta de entrada dos produtos piratas, as apreensões são intensas. De acordo com a PF, com o aumento da comercialização de aparelhos PCs e notebooks, a delegacia especializada em crimes fazendários está intensificando as investigações sobre o carregamento de equipamentos sem nota fiscal para as lojas especializadas.
A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) divulgou estudo revelando que 70,4% de todas as vendas de aparelhos de informática e de software feitas no País são de equipamentos pirateados. Para este ano, o comércio ilegal deve alcançar 75% do mercado, quando o Brasil deve passar a China e se tornar o campeão de pirataria.
De acordo com a Abinee, só o governo deixou de arrecadar R$ 1,5 bilhão em impostos no ano passado e o setor deixa de gerar cerca de três mil empregos diretos e indiretos. A entidade não soube dimensionar os prejuízos para as empresas legalmente constituídas no País. Adiantou, porém, que muitas se recusam em investir no Brasil por causa da concorrência desleal com a pirataria feitas pelos ''cloneiros'', que compram e distribuem peças pirateadas.
Para o gerente de pesquisas da consultoria especializada IDC, Ivair Rodrigues, as distorções começam no processo de compra de componentes pelos fabricantes dos equipamentos. Ele estima que acima de 50% das peças são compradas sem o devido pagamento de impostos e subfaturadas, já que o fornecimento na maioria das vezes é feito de forma ilegal.


