A demanda pelo milho no Brasil é praticamente igual à produção: 39 milhões de toneladas. Isso explica, de acordo com os analistas, porque o mercado do cereal trabalha muito aquecido em função da expectativa recorde de exportação em todo o setor de carnes no País. Outra explicação está na falta de novas áreas de cultivo.
Segundo Paulo Molinari, durante toda a década de 90 o País cultivou uma média de 10 milhões de hectares de milho na safra normal, mas nos últimos anos essa área foi sendo reduzida, devido a ocupação com soja ou frustrações. Esse ano foram 6,3 milhões de hectares e uma produção que empatou com o consumo.
Esses fatores condicionaram o mercado a depender da safrinha, que é de alto risco, para abastecer o mercado e garantir o fornecimento de milho.
Na verdade, segundo Molinari, é preciso recuperar antigas áreas de milho no verão e incentivar um plantio maior. E isso deveria ser feito em áreas novas, especialmente no Centro-Oeste, que atualmente recebem a soja, o algodão, entre outros. ''Como convencer o produtor que hoje cultiva soja a plantar mais milho no verão se existe valor maior para a soja?'', questiona o analista.
Seria preciso, na opinião de Molinari, ter preços melhores para o milho e uma política agrícola que motivasse o aumento de cultivo: ''Hoje, é difícil convencer o produtor a inverter o processo.''
Outro fator que influencia no estoque é o aumento das exportações do grão que, em 2002, somaram 2,5 milhões de toneladas. Este ano, esse número deverá ser de 1,9 milhão por falta de estoque de passagem.
Se o País aumentar as exportações, avalia Molinari, corre risco da falta de produto no final do ano. O determinante para o mercado e abastecimento interno, na opinião do analista, está no cuidado e controle desse volume de exportação.

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