Monica Yanakiew
Agência Estado
O Equador, que vinha sendo apontado nos últimos três meses como o novo foco de instabilidade na América Latina, superou seu primeiro teste ontem. O temor de que o pequeno país declarasse uma moratória, abalando a confiança dos investidores no resto da região, foi afastado – pelo menos por enquanto. Os mercados, cuja reação definirá os rumos da crise equatoriana, amanheceram tranquilos ontem e as bolsas até subiram. Foram dois sinais positivos para um dia que prometia ser de muita expectativa, especialmente para os países latino-americanos. Na véspera, o governo equatoriano anunciara que só tinha dinheiro para pagar metade da dívida de US$ 98 milhões, que vence hoje. Mas também explicou que encontrara uma fórmula para cobrir a diferença, até negociar um acordo com os credores do setor privado e o Fundo Monetário Internacional (FMI).
‘‘Não é uma moratória. É uma inadimplência técnica , disse o vice-diretor-gerente do FMI, Stanley Fischer. ‘‘Não é uma moratória porque não houve ruptura’’, reforçou o ministro da Fazenda, Pedro Malan, ao comentar o anúncio do governo equatoriano. Ele lembrou que ‘‘moratórias tradicionais’’ acontecem quando o país não pode e também não quer pagar o que deve. ‘‘Não foi esse o caso’’, acrescentou Malan, que há dois dias conversara com o presidente do Banco Central do Equador, Pablo Better.
O vice-diretor-gerente do FMI, Stanley Fischer, disse o mesmo que Malan. O Equador, explicou, ‘‘fez o máximo para se manter solvente’’ e suas ações ainda não caracterizam uma moratória. Se demonstrar ‘‘boa fé e vontade’’ para negociar uma saída com os credores do setor privado (uma reestruturação acordada da dívida) o Equador terá cumprido uma das condições para receber apoio do Fundo.
Tanto Malan, quanto economistas do FMI e dos bancos privados, minimizaram efeitos do anúncio equatoriano sobre os outros países que detêm bônus Brady (títulos emitidos a partir de 1989, com o aval do Tesouro americano, para resolver a crise da dívida, que atingiu a América Latina na década passada).
ColômbiaOntem os mercados também reagiram bem ao anúncio por parte da Colômbia de que abandonaria o regime de banda cambial e deixaria a sua moeda flutuar livremente. O peso colombiano – que já perdera boa parte de seu valor – desvalorizou apenas 1% a 2% ontem. Agora a Colômbia quer adotar um sistema de metas inflacionárias parecido ao brasileiro. Em toda a América Latina, apenas um país – a Venezuela – continua tendo um sistema de bandas cambiais.

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