Agência Estado
De Quito
O presidente do equador, Jamil Mahuad, anunciou na noite de domingo a dolarização da economia do país. Em cadeia nacional de rádio e televisão, o presidente disse que a cotação será fixada pelo governo em 25 mil sucres por dólar. O objetivo é frear o aumento da moeda norte-americana que em menos de uma semana subiu quase 20%, chegando a custar 29 mil sucres. Mahuad comunicou também o pedido de demissão de todo o seu ministério e disse que nomeará os substitutos nos próximos dias.
O inesperado anúncio seguiu-se a um tenso final de semana, com rumores de um possível golpe militar em decorrência da crise econômica pela qual passa o país. Em seu comunicado de 20 minutos, Mahuad classificou a crise como ‘‘a maior da história do Equador’’. O presidente disse que enviaria ontem as instruções para o Banco Central para adiantar o processo, ao qual o órgão foi contrário.
Caso o Banco Central recuse a medida, Mahuad afirmou que fará uma convocação do Congresso nesta terça-feira, a fim de que se destitua os executivos da entidade que não estejam de acordo com a decisão. Sem fornecer maiores detalhes sobre os mecanismos a serem utilizados para a dolarização, ele explicou que o sistema foi estudado pelo governo nos últimos meses e o qualificou de ‘‘conveniente e necessário’’ ao momento atual.
Mahuad disse que havia chegado a um acordo entre o governo e partidos políticos, os quais não identificou, para aprovar uma série de medidas econômicas, dentre elas a ‘‘modernização do estado’’, expressão que pode ser entendida como privatização das estatais.
O governante do partido democrata-cristão é acusado de ser incapaz de governar o país por opositores tanto da esquerda quanto da direita. Organizações trabalhistas e estudantis e comunidades indígenas devem realizar uma série de manifestações pela renúncia do presidente durante a semana. Mahuad não fez qualquer alusão ao suposto golpe de estado ou aos protestos dos opositores durante o comunicado em rede nacional, mas afirmou que o governo, as forças armadas e a polícia não vão permitir ‘‘atos de vandalismo’’ e manterão a ordem e a lei no país.