Enxugar a máquina ajuda a reduzir impostos
A carga tributária brasileira, não é novidade, é uma das mais altas do mundo. Mas a arrecadação federal, que não costumava cair diante de qualquer marola, mostra que as fontes estão secando e é preciso, dizem os comentaristas econômicos, em vez de repetir equívocos do passado, aumentando os impostos, tomar medidas mais amplas e radicais para dar fôlego novo e consistente à economia. A arrecadação em fevereiro foi de R$ 45,106 bilhões, uma queda de 11,53% em comparação ao mesmo período do ano passado. Comparado com janeiro, a redução foi de 26,99%.
Impactou na arrecadação, obviamente, a redução do IPI para os carros. Porém, fica evidente que o maior problema foi mesmo a desaceleração da economia como um todo. Ao divulgar, dias atrás, a queda da arrecadação total de impostos e contribuições federais no mês de fevereiro ao menor nível desde maio de 2006, o coordenador-geral de Estudos de Previsão e Análise da Receita Federal, Marcelo Lettieri, disse ao jornal Zero Hora que não está descartada a possibilidade de novas reduções de impostos por parte do governo para enfrentar a crise.
No entanto, deixou claro que a decisão não cabe ao Fisco, mas a toda a equipe econômica. Lettieri explicou que ainda estão sendo estudados os impactos de desonerações feitas, como a do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) no setor automobilístico.A gente está começando a analisar agora os resultados positivos dessas desonerações. Você tem a redução da arrecadação, que é imediata. Mas você tem os impactos positivos sobre a economia, afirmou o coordenador-geral.
Segundo o presidente do Sescap-Ldr, Paulo Caetano de Souza, outro fator que impacta muito na conta da carga tributária é o descontrole do governo no que se refere ao custo da máquina administrativa. O sistema administrativo da União cresceu descontroladamente nos últimos anos, com a folha salarial representando hoje um gasto espantoso. Recomendável, nesse momento, também, é avaliar quanto pode ser economizado com enxugamento e correção de distorções. Um pequeno exemplo do rumo que as coisas tomaram é o número de diretorias que vinham sendo mantidas pelo Senado: 181, cinquenta das quais acabam de ser exoneradas pelo novo presidente da Casa, José Sarney, a título de satisfação à opinião pública, disse Paulo Caetano.
Segundo ele, só uma eficiente reforma administrativa, contudo, para dar à máquina federal a forma ideal quanto ao número de servidores, função que cada um exerce, compatibilidade da remuneração com as responsabilidades, identificando quadros anômalos como o do Senado e onde sobra ou falta pessoal.
Para as entidades de contadores, as coisas precisam mudar e não apenas porque as fontes de recursos estão secando. Segundo elas, é preciso fazer valer a ética e a transparência na gestão pública. Para dar o exemplo o Conselho Regional de Contabilidade do Paraná está participando do Fórum do Terceiro Setor, iniciativa do Ministério Público envolvendo inúmeras entidades e o meio acadêmico que tem como objetivo verificar se os recursos públicos destinados às cerca de três mil organizações que atuam no Estado são bem empregados e se há outras inconsistências.
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr)





