Da Redação
A safra de trigo deste ano vai marcar uma nova fase de entusiasmo com a retomada do aumento da produção e o direito de pensar, a longo prazo, na autosuficiência, perseguida com relativo sucesso nos anos 80.
Pelo menos é o que deixa entrever a Associação Brasileira da Indústria do setor, a Abitrigo, que tem projeto para aumentar a produção e o consumo. A Associação se inspira na tecnologia disponível no campo e no espaço para aumentar o consumo estacionado em modestos 50 kg/per capita/ano, comparados aos cerca de 100 kg/per capita/ano da Argentina e mais de 150 kg/per capita/ano da Itália, por exemplo.
O assunto será tema da palestra do presidente da Abitrigo, o paranaense Roland Guth, durante ‘‘1º Seminário do Trigo’’, em Londrina, em fevereiro, que reunirá especialistas da pesquisa e da indústria. A comissão organizadora esteve reunida esta semana para confirmar o conteúdo do evento.
O debate No seminário, empresas públicas e privadas que atuam na pesquisa, produção e industrialização do trigo nos Estados do Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e Mato Grosso do Sul vão discutir a safra do cereal do ano 2000. A pauta inclui outros itens da cadeia produtiva como comercialização e qualidade. Será de 21 a 24 de fevereiro, no Iapar.
Novas técnicas e novas variedades são incorporadas nas propostas da pesquisa para a safra deste ano, depois de discutidas por especialistas. O seminário também tem autonomia para retirar de recomendação variedades e técnicas atualmente em uso.
O presidente da Comissão Organizadora do Seminário, pesquisador Luiz Alberto Campos, informou que ano passado a Comissão Centro-Sul Brasileira de Trigo (que passou a ser substituida pelo seminário) decidiu por abrir mais a participação de técnicos e empresários visando uma maior abrangência de toda a cadeia produtiva. Será um seminário técnico, econômico e político. Ele espera a presença de 150 pessoas entre cientistas, especialistas do setor industrial e produtores de sementes. O Seminário é promovido pelo Iapar, Embrapa, Ocepar e Fapeagro.
Uma das novidades é a variedades IPR - 85, resultado do melhoramento genético, que contempla precocidade produtividade e boa tolerância à principais doenças fúngicas. A nova variedade apresenta outros atributos como grãos graúdos - peso de mil grãos acima de 40 gramas e ótimo PH - e não germina na espiga. Trata-se de variedade igual ou melhor que as variedades argentinas, comparam os técnicos. A IPR - 85 não é a única variedade a ser discutida, segundo os organizadores.
As indústrias moageiras de trigo têm manifestado interesse em se abastecer mais da matéria-prima nacional que, por sua vez, tem se direcionado para atender especificações industriais. Todas as variedades, hoje, têm ótimas qualidades para panificação, segundo o Iapar. O Seminário também deve avançar na busca de parâmetros visando a regionalização de variedades.
Embora preocupados com o melhoramento genético, os pesquisadores, segundo Campos, consideram importante a participação de todos os segmentos da cadeia. ‘‘É importante o fortalecimento do setor’’, afirma.