Entrevista: Remo Veronesi
Muito bem, que venham os aeroportos internacionais, os portos secos, mas primeiro temos que ter empresas. No ciclo do desenvolvimento de Londrina eu vim aqui porque tinha, primeiro, o café. Era o café que gerava riquezas. Depois vieram as estradas, as pontes. Módena, que tem 62 mil indústrias, não tem porto seco, não tem aeroporto internacional, nem nacional. O Paraná tem 20 mil indústrias. Só uma cidade como Módena, de 180 mil habitantes, tem 62 mil indústrias! Diante desse fato, a matéria cultura é que precisa ser estudada antes de se fazer um plano de desenvolvimento. Eu não vi ainda um modelo melhor que o da região Emilia-Romagna. O Clinton foi buscar este modelo para os Estados Unidos. A Alemanha foi buscar. Eu não quero discutir Andersen Consulting, mas se ela tivesse dado referência a este modelo, eu teria dito: A Andersen tem conhecimento do modelo. A Andersen não deu referimento, por isso eu acho que o Plano, neste ponto, é falho.
Mentalidade curtaBete Fagundes
Dorico da SilvaCemitério de fábricasVeronesi: O que quer dizer gerar indústrias? Serão produtivas amanhã ou vão ser financiadas a juro alto para ficar aí, sem tecnologia e mercado?Tem gente que tem título, preparo na área técnica, mas não tem experiência, nem maturidade nem conhecimentos históricos da vida produtiva, social e econômica de uma nação. Não tem experiência em globalização. Aqui, ninguém tem esse conhecimento, simplesmente porque não viveram fora, não trabalharam fora, não se inseriram no contexto internacional. Há sete anos tocamos esse projeto para compreender, primeiro, o que está acontecendo lá fora. Segundo: já antes de ficar sabendo qual seria o mercado para o Brasil, decidimos jogar em cima da Europa, aproveitando esse fato importante que é a questão genética da formação cultural do trabalho no Brasil, onde 62% são filhos de europeus. Considerando que a minha pessoa é pessoa capacitada, depois de quase 50 anos de campo internacional, montamos lá o Programa Paraná-Europa, não aqui. Porque aqui se monta o que chamamos de recipientes: pólos tecnológicos, parques tecnológicos. Temos que pôr primeiro o conteúdo.
Primeiro, as empresas





