Entregas de fertilizantes caem 3%
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quarta-feira, 19 de julho de 2006
Fabíola Gomes<br> Agência Estado 
São Paulo- Diante da crise do setor agrícola brasileiro, o volume de entregas de fertilizantes apresentou queda de 3% no primeiro semestre de 2006 no Brasil, recuando de 5,923 milhões de toneladas para 5,747 milhões no acumulado deste ano até junho.
As regiões produtoras de grãos foram as mais afetadas. No Centro-Sul, as entregas ficaram em 4,936 milhões de toneladas no semestre, 5,1% menos que 5,199 milhões de toneladas no mesmo período de 2005.
Apenas os Estados do Centro-Oeste, grandes produtores de soja, cultura cujo desempenho foi reduzido por causa de perdas com a ferrugem asiática e da valorização do real, houve diminuição de 7,6% nas entregas de janeiro a junho, para 4,170 milhões de toneladas sobre 4,513 milhões de toneladas nos mesmos meses de 2005.
O diretor-executivo da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), Eduardo Daher, afirma que as maiores quedas foram registradas no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins. ''Não se trata apenas da cultura, mas do problema de crédito dos produtores locais'', afirma. Segundo Daher, o setor enfrenta dificuldades para renegociar suas dívidas. ''O FAT Giro Rural é mais longo, mais barato e mais segmentado, mas ainda não está normatizado. Não chegou à ponta interessada (o produtor)'', afirma.
''Não se trata de dinheiro novo, mas de repasses que, efetivamente, ainda não estão disponíveis'', completou. O FAT Giro Rural é uma linha de crédito, concedida pelo Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) e que permite ao produtor quitar dívidas junto a empresas de insumos, com de TJLP mais 3% a 5% ao ano, com prazo de pagamento de 60 meses.
A preocupação da indústria é com a concentração das vendas de julho a dezembro, quando 70% dos fertilizantes são entregues. Com a dificuldade em renegociar as dívidas, os produtores transferem as compras de insumos para o segundo semestre, o que pode ocasionar outra dificuldade: aumento da demanda no período, puxando a alta dos preços, e do custo com frete.
Para Daher, o endividamento do setor e a falta de rentabilidade ainda devem pressionar o setor agrícola na próxima safra, mesmo com os programas emergenciais do governo de apoio à comercialização e das renegociações de débitos.
Outro fator que preocupa a indústria é o volume dos estoques. No primeiro dia de julho do ano passado, o estoque total de fertilizantes somava seis milhões de t, neste ano estava em 5,069 milhões de t.


