Curitiba - Caminhões e implementos rodoviários estão demorando até três meses para serem entregues no Paraná. O crescimento do setor de agronegócios e a previsão de safra agrícola recorde foram alguns dos motivos que colaboraram para a elaboração de um cronograma de entregas de caminhões, semi-reboques graneleiros e basculantes e bitrem granuleiro em grande parte das indústrias e concessionárias paranaenses, que geralmente faziam as vendas com pronta-entrega.
O departamento de vendas da Cotrasa, empresa tradicional no Brasil e que comercializa caminhões pesados da marca Scania, informou que o prazo de entrega varia entre 60 e 90 dias. O cronograma é diferenciado, dependendo da região brasileira e da demanda. No Brasil, existem mais de 100 concessionárias que revendem caminhões da Scania. No Paraná, são nove concessionárias.
O diretor comercial da Randon Implementos Rodoviários, Rogério Ragazzon, confirmou ontem a demora na entrega. No entanto, segundo ele, não existe atraso. Os cronogramas são pré-estabelecidos e os clientes são avisados sobre o prazo de entrega no momento da compra. Um cliente que compra um implemento rodoviário de carga pode levar até 90 dias para ser atendido.
Por exemplo, quem compra hoje um bitrem ou um semi-reboque graneleiro deverá receber o veículo no mês de abril. ''A procura por esse tipo de implemento cresceu muito por causa do aquecimento do setor de agronegócios, o que acabou desencadeando nossas programações de entrega. Cumprimos rigorosamente os prazos estabelecidos com os clientes'', afirmou ele.
O planejamento da empresa, líder no mercado nacional com 46% das vendas de implementos rodoviários, prevê um crescimento entre 6% a 8% no setor em 2004 se comparado ao ano anterior. No Brasil, existem 54 revendedores da Randon.
Para o diretor da Federação dos Transportes de Cargas do Paraná (Fetranspar), Sérgio Malucelli, a demora na entrega se deve a uma falta de política de incentivo ao comércio. ''A produção de caminhões é voltada ao mercado externo. Setenta por cento do que é produzido são destinados para exportação. Falta uma política governamental interna para fazer com que os caminhões produzidos no Brasil sejam comercializados no País'', ponderou. ''Existem dificuldades para entrega do caminhão e para o financiamento da modernização da frota.''
A Volvo do Brasil, montadora instalada na Região Metropolitana de Curitiba, ainda está vendendo com pronta-entrega. Em alguns casos, quando o caminhão não está no estoque segundo a assessoria de imprensa a demora no atendimento ao cliente pode chegar a dez dias. A assessoria informou, no entanto, que foram realizadas algumas compras de setembro a novembro, com entrega prevista para janeiro. No entanto, o pedido de entrega teria sido feito pelo próprio cliente, que queria iniciar as atividades de transporte de cargas no período da safra.

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