Cerca de 50 caminhões carregados com grãos esperam há uma semana para descarregar a mercadoria na fábrica da Cacique Café Solúvel, em Londrina. A precariedade de acomodações e o prejuízo financeiro irritam os motoristas que estão distribuídos em três postos de combustíveis.
De acordo com Carlos Roberto Dellarosa, presidente do Sindicato dos Transportes Rodoviários Autonômos de Bens de Londrina e Região, o problema foi causado por falta de logística da empresa que não estava preparada para atender os fornecedores. Cada veículo desta fila transporta cerca de 30 toneladas do produto avaliadas em mais de R$ 100 mil. ''Normalmente, a carga é segurada mas, se uma parte dela desaparecer, o prejuízo é do motorista que está perdendo, aproximadamente, R$ 4 mil por semana nesta fila'', acrescentou.
Luis Vitorino de Sousa deve descarregar seu caminhão hoje de manhã. Assim como José Francisco Guimarães, ele está há sete dias na porta da Cacique e improvisa os banhos no banheiro do posto Transvalcoop. Para comer, os caminhoneiros precisam andar dois quilômetros e respeitar um esquema de revezamento acertado entre todos. ''Estamos gastando entre R$ 20,00 e R$ 25,00 todos os dias'', disse Sousa, que conseguiu negociar o ressarcimento com o proprietário da carga. ''Estou tão perto de casa e não posso sair daqui para ver minha família'', queixa-se Guimarães que mora na região de Presidente Prudente (oeste paulista).
Dellarosa disse que o Sindicato tem intermediado o acordo com os fornecedores da indústria que, segundo ele, não se responsabiliza pela segurança e alimentação dos motoristas. O gerente de planejamento e compra de matéria-prima da indústria, Elcio Martiniano de Carvalho, confirma a informação do sindicalista e atribui a uma série de fatores o atraso no descarregamento. ''Realmente, compramos uma quantidade maior de café mas, alguns caminhões chegaram antes da hora e outros se atrasaram. Além disso, estamos com dificuldade para encontrar saqueiros que dêem conta da carga e descarga de mercadoria'', justifica o executivo.
Apesar da grande quantidade de veículos estacionados à beira da rodovia BR-369, o sindicalista garante que até agora nenhum incidente foi registrado. Sua expectativa é que o problema seja resolvido até amanhã.

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