Diante de um panorama tão imprevisível e incerto, aos pequenos criadores de gado de leite só resta um sentimento: a resignação. ''A situação está tão difícil que só posso parar e esperar'', afirmou o produtor Salvador Moreira da Silva. Ele sustenta seus três filhos com a produção leiteira de cerca de 240 litros por dia. ''Ainda estou entregando para o laticínio, mas eles já avisaram que quando a câmara fria encher, vão parar de pegar'', comentou.
Silva tem um rebanho de 50 cabeças da raça girolanda. ''Se o laticínio parar de pegar, não tenho o que fazer com o leite. Já até comentei com a mulher que vou ter que vender a moto. O importante é não deixar dívidas, mas a vida é cheia de altos e baixos'', resigna-se. A propriedade dele tem 35 alqueires e, uma parte é destinada ao plantio de café. ''Mas acho que o pior ainda está por vir. Com o dinheiro do leite fazemos compras em mercados, na farmácia, pagamos energia. Mesmo depois que tudo isso passar, ninguém mais vai querer comprar queijo de Grandes Rios'', previu.
O criador Edenir Machado entrega de 100 a 150 litros de leite por dia para a Confepar, coleta que foi suspensa desde sábado. ''Estamos aguardando uma resposta da Confepar. Por enquanto, o leite está armazenado'', disse. Mesmo antes do anúncio da suspeita da doença na região, Machado estava desanimado. ''O preço não está dando, a cooperativa paga R$ 0,32 por litro. Passamos, não vivemos bem'', afirmou.
A sua propriedade é familiar e a mão-de-obra é composta por quatro pessoas: Machado, seu pai, sua mãe, e a esposa, que ''ajuda de vez em quando''. Além do leite, há gado de corte e café. ''Não trabalho com a possibilidade de que exista aftosa aqui. Amanhã (hoje) tudo será normalizado'', disse. A expectativa era que a Seab anunciasse hoje o resultados dos exames dos animais suspeitos de ter a doença. No entanto, ele terá que aguardar um pouco mais: a notícia deve vir somente no final da semana. (F.M.)

mockup