Entre os comerciantes - estabelecidos formalmente em lojas ou nas galerias de comércio popular - sobram acusações mútuas. A primeira delas é que as duas pontas vendem mercadorias pirateadas ou ilegais. A segunda sempre esbarra na questão social, seja no lado do desempregado que está tentando sobreviver vendendo seus produtos ou do comerciante formal, que está perdendo mercado e que tem que demitir seus funcionários. Neste meio, talvez o segmento mais prejudicado seja as videolocadoras, uma vez que os DVDs são um dos principais alvos dos copiadores.
''É um mercado predatório. Os camelôs ocupam o espaço das calçadas e ficou muito fácil comprar um DVD pirata, não é preciso ir mais ao camelódromo. Por que só eles (camelôs) têm regalias?'', questionou João Batista Lazzarino, proprietário de uma videolocadora. Segundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Material Óptico, Fotográfico e Cinematográfico no Estado do Paraná, Nicolau Burgacov Júnior, o órgão já protocolou inúmeros pedidos de providências em órgãos como a Vigilância Sanitária, Prefeitura, Ministério Público e Polícias e que nada foi feito. ''Não temos respaldo político'', afirmou.
Do outro lado, estão os ''idealizadores'' do comércio popular que afirmam que estão trabalhando dentro da lei. ''A Galeria Benjamin é a única do Paraná que está trabalhando conforme as leis existentes. Temos tudo organizado, projetos aprovados, contador e todas as firmas estão registradas. A galeria é a realização de um sonho de comerciários que pouparam dinheiro'', comentou. Para o secretário da Ong Canaã, Nilsinho Gonsales, os ''shopping outlet'' (galerias de comércio popular) são a nova tendência de comércio nacional. ''Os outlets viraram moda em todo o Brasil e Londrina é uma cidade de vanguarda nisso'', observou. No entanto, ele acrescentou que a ong é responsável somente pela administração do condomínio e não é de sua competência quais os produtos vendidos por cada comerciante. (E.Z. e F.M.)

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