Entre filosofia e agricultura, bom lucro
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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2002
Sílvio Oricolli Equipe da Folha 
Cascavel - Demócrito, Sócrates, Platão, Aristóteles, Kant, Derrida, ou seja, muitos dos filósofos, desde os pré-socráticos aos atuais, devem fazer parte do universo de Neudi Mosconi. Não trafegam, porém, com tanta
desenvoltura no dia a dia como as questões ligadas ao trabalho no campo, como escolha de insumos, ajustes nos maquinários, melhor período para plantar, colher e vender. Mosconi, que é formado em filosofia pela Universidade do Oeste do Paraná (Unioeste), campus de Toledo, atualiza a planilha a cada período agrícola para melhorar a eficiência da propriedade em duas safras anuais de grãos distribuídas em 1,31 mil hectares de três propriedades em Cascavel, no oeste.
Filho de agricultores, aos 34 anos de idade, casado e com dois filhos, Mosconi considera-se um telúrico: a paixão pela terra - que retribui em dobro o cuidado que recebe - tem aumentado. Se o tempo colabora, pode se dar ao luxo de quase acertar no quanto irá ganhar sobre o investimento.Mas não se encaixa no perfil de agricultor tradicional: a terra não é um ativo, que exige imobilização de capital, mas um bem de produção. Por isso, se dispôs a comprar a primeira propriedade -48 hectares - há pouco tempo, numa partilha de herança da família.
Mosconi é arrendatário desde 1990, quando começou a plantar soja e algodão em 14,5 hectares que, quatro anos mais tarde, passaram para 97 hectares. Em 98, ele já plantava e colhia em 629 hectares. O restante de terra, que completou a área atual, foi contratado em 99. Atualmente cultiva soja, milho, feijão e trigo em sistema de plantio direto. São 605 hectares de feijão, semeados em dois períodos do ano, com produtividade média de 2,35 toneladas (39,16 sacas) por hectare; 205 hectares de milho, com rendimento médio de 8,25 toneladas (137,5 sacas) por hectare, e 1,04 mil hectares de soja, com produtividade média de 3,47 toneladas (57,83 sacas) por hectare, e, no inverno, 338 hectares de trigo, que, principalmente por causa de geadas, tem produzido mal nos últimos anos - 1,24 tonelada por hectare (20,66 sacas), em média.
O agricultor espera na atual safra colher 8,67 toneladas de milho e 3,75 toneladas de soja por hectare. São esses resultados que o animam a pensar em buscar novos arrendamentos. E já olha para um horizonte de mais mil hectares.
Pelos cálculos do produtor é muito mais vantajoso investir em propriedades alheias, do que ter a própria terra: a compra de um hectare na região oeste do Estado representa o desembolso de US$ 3,92 mil. Se comparar com rendimento anual no mercado financeiro, esse investimento me dá entre US$ 588 e US$ 784, com taxa que varia entre 15% e 20%.
Numa comparação com a soja, para ter a mesma rentabilidade, deveria ter produtividade de 82,64 sacas por hectare, estima. Mosconi demonstra ainda que a sobra de mil sacas de soja lhe assegura o arrendamento de 72,6 hectares, pagando adiantado. Incluindo o custo de produção de 22,72 sacas mais 14,46 sacas do arrendamento por hectare, ele calcula que, numa produtividade de 57,85 sacas, o lucro por igual área será de 20,67 sacas.


