Curitiba - Enquanto alguns municípios da RMC esperam 2008 com ansiedade, outros se dividem entre a angústia e a incerteza. Esses são os casos respectivamente de Piraquara, que vê a principal indústria da cidade fechando suas portas, e Campo Largo, que tenta recuperar empresas que tiveram dificuldades em 2007.
Em Piraquara, o desalento se deve ao anúncio do fim das atividades da indústria de pneus remoldados BS Colway. No início de dezembro, a empresa, que já havia demitido 500 funcionários, divulgou que os outros 700 trabalhadores estão em aviso prévio. Caso a fábrica não consiga nenhuma decisão judicial liberando a importação de pneus usados, matéria-prima da empresa, fechará suas portas até 2 de fevereiro.
Somente com o que deixará de arrecadar com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), a prefeitura estima que terá um prejuízo anual de R$ 2 milhões a partir de 2008. Isso sem levar em conta os impostos indiretos pagos pelos funcionários que perderão seus empregos. O prefeito Gabriel Samaha (PPS) lamenta ainda o fim dos projetos sociais desenvolvidos pela BS Colway, que beneficiam centenas de estudantes carentes do município.
Já Campo Largo vive um clima de incerteza. O município espera a possível recuperação de duas fábricas de motores que encerraram suas atividades no último ano. Uma delas, a TMT Motoco, que passa por um processo de recuperação judicial, está renegociando suas dívidas e pode voltar a produzir no início deste ano. Possivelmente, parte dos funcionários demitidos serão recontratados a partir de janeiro. Por outro lado, as instalações onde funcionava outra empresa, a Tritec, podem ser compradas pela General Motors (GM). A intenção da montadora seria implantar outra fábrica de motores no local.
Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Campo Largo, Miguel Fernando Spack, a recuperação dessas empresas é importante principalmente porque o município tem certa restrição para atrair novos investimentos. ''O grande problema de Campo Largo é o excesso de áreas de preservação ambiental, o que faz com que sobre pouco espaço para colocar indústrias'', diz. Mesmo assim, ele espera que 2008 seja um ano melhor do que os anteriores. ''Pior do que está não fica. A tendência é recuperar'', afirma Spack.(R.L.)

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