Curitiba - A importação de matérias-primas esbarra em uma série de entraves no Brasil, o que dificulta o trabalho dos empresários no País. Entre os principais problemas estão a infraestrutura portuária, a burocracia dos produtos terem que passar pela fiscalização de vários órgãos de forma isolada e não integrada e, para completar, as greves frequentes de servidores públicos envolvidos na liberação de mercadorias como Receita Federal, Ministério da Agricultura e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Para o setor do agronegócio, o produto imprescindível é o fertilizante. O assessor técnico-econômico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Nilson Hanke Camargo, disse que a infraestrutura portuária e a produtividade do Porto de Paranaguá vêm atrapalhando bastante o setor. ''Um navio demora de cinco a seis dias para descarregar depois que atracou'', afirmou. ''Teríamos que ter mais berços de atracação com uma velocidade maior de descarregamento'', destacou.

Segundo ele, hoje os Portos de Paranaguá e Antonina contam com sete berços de atracação que podem ser utilizados para o desembarque de fertilizantes. Apenas dois deles (209 e 211) são exclusivos para este tipo de produto e estão em Paranaguá. ''Cerca de 90% dos problemas de importação para o agronegócio envolvem fertilizantes'', disse.

Outro entrave, segundo Camargo, são as greves de servidores públicos como os da Anvisa, do Mapa, da Receita Federal e também de trabalhadores avulsos que compõem a mão de obra portuária. Além disso, o setor também sofre com a burocracia dos mais diversos órgãos para a liberação dos produtos. Um fator econômico que atrapalha é a diferença cambial na relação entre real e dólar.
''O mercado agrícola cresce no País e as estruturas não se modificam. Falta investimento'', disse o diretor executivo da Cooperativa Nacional Agroindustrial (Conagro), Daniel Fontes Dias.

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