A oferta elevada da uva nesta segunda safra na região de Marialva, somado a um baixo consumo da fruta nesta época do ano, tem resultado em uma safra ruim para muitos produtores da região, já que parte dos viticultores não tem para quem vender. O resultado dessa alta oferta e baixa demanda é a queda nos preços da fruta. Na semana passada, por exemplo, o valor do quilo da uva fechou na média de R$ 1, contra R$ 2,50/kg cotado no início desta safra. Nesta semana, o valor da fruta reagiu um pouco, cotado na última segunda-feira a R$ 1,82/kg, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
Valdinei Cazelato, secretário da Agricultura de Marialva, explica que neste ano a colheita da safrinha foi concentrada em maio porque as chuvas atrapalharam o ciclo normal. Com o excesso de produto e o frio, condição climática que desestimula o consumo da fruta, alguns produtores tiveram que descartar parte da produção. Além disso, a chuva também chegou a comprometer a qualidade das uvas, já que o excesso de água altera o teor de açúcar da fruta.
O secretário de Marialva explica que um dos fatores que proporcionou esta safra elevada, estimada em 17 mil toneladas, foi o fato de muitos produtores não terem tirado o excesso de cachos das parreiras no decorrer do ciclo. "Os técnicos em campo pedem para os agricultores fazerem essa poda", observa Cazelato. No mesmo período do ano passado, a região chegou a produzir 20 mil toneladas. Contudo, salienta o secretário, a colheita foi bem distribuída, sendo facilmente assimilada pelo mercado. Mesmo com esses problemas de safra, "Marialva continuará sendo a capital da uva", salienta o secretário.

Consequências
Depois das geadas do ano passado, a produção de uva de primeiro ciclo se concentrou em janeiro. "Para a safrinha, já havia a probabilidade de alta oferta, mas muitos produtores não seguiram a orientação técnica de fazer a poda", observa Paulo Andrade, engenheiro agrônomo do Deral. Além disso, completa o especialista, a geada do ano passado mudou todo o cenário de safra, já que a safra principal chegou atrasada, o que influenciou no ciclo seguinte.
O especialista conta também que além do excesso de produção, a entrada das uvas do Nordeste no mercado interno também vem prejudicando os produtores paranaenses, já que o aumento da oferta pressiona os preços para baixo. Essa mudança de mercado, explica ele, se deve porque a região nordestina começou a direcionar a sua produção para o Sul do País.
O produtor José Gonçalves Pacheco perdeu 20% da produção nesta safrinha por causa do excesso de chuvas. Ele sentiu no bolso o baixo consumo da fruta nesta época do ano. O produtor tem recebido pelo quilo da uva R$ 1,20, enquanto que no mesmo período do ano passado chegou a receber R$ 4/kg. Mas, sem desanimar, Pacheco conta que continuará na atividade. A sua produção está estimada em 40 toneladas em uma área plantada de 2,5 hectares.

Imagem ilustrativa da imagem Entraves não desanimam viticultores de Marialva
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