A entrada líquida de capital externo no segmento de câmbio de taxas livres (comercial) apresenta uma redução a partir do dia 12 último, devido à diminuição de ingresso de recursos estrangeiros no segmento financeiro - por onde entram dólares destinados a empréstimos, financiamentos, venda de serviços etc.
Do dia 2 até o dia 11, ingressaram no segmento taxas livres US$ 4,19 bilhões líquidos. Do dia 12 até o dia 19, o acumulado é de US$ 2,19 bilhões. A média de entrada líquida por dia despencou de US$ 524,2 milhões para US$ 366,1 milhões.
É pelo segmento financeiro do câmbio contratado que entra a maior parte do capital estrangeiro que vem em busca das taxas de juros. Esse segmento apresentava uma média diária de entrada de US$ 704,8 milhões do início do mês até o dia 11. Esse desempenho baixou para US$ 602,28 milhões do dia 12 até o dia 19 último - uma queda de 14,54%.
A entrada de recursos externos no País aumentou depois que o governo dobrou os juros em outubro do ano passado para evitar a fuga de capital estrangeiro no rastro da crise asiática.
Técnicos do Banco Central afirmam que a queda na entrada de capital estrangeiro no segmento financeiro é consequência da perspectiva da queda de juros nos próximos meses.
A redução da taxa de juros se reflete no valor do cupom cambial. Esse cupom representa o ganho do investidor estrangeiro que aposta na arbitragem entre os juros internos e a variação do câmbio. Técnicos do BC acreditam que, apesar da desaceleração na entrada de dólares no segmento financeiro, ainda é cedo para dizer que esta situação é definitiva.
Dados do BC mostram que o acumulado líquido no segmento de taxas livres é de US$ 6,28 bilhões até o dia 19, o equivalente a todo o movimento de fevereiro. Projeção cautelosas do BC apontam que as reservas internacionais podem fechar o mês de março em US$ 64 bilhões, ultrapassando o patamar de setembro, antes da crise asiática.
Como as reservas têm um custo para o governo, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse ontem que não descarta a adoção de medidas restritivas à entrada de dólares no País.

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