As reservas em moeda estrangeira cresceram US$ 5,679 bilhões de janeiro para fevereiro deste ano, impulsionadas, entre outros fatores, pela entrada de capital especulativo. As reservas, no conceito de dinheiro com disponibilidade imediata, aumentaram de US$ 53,103 bilhões para US$ 58,782 bilhões.
O chefe do Depec (Departamento Econômico) do Banco Central, Altamir Lopes, afirmou ontem que a tendência é de acumulação das reservas. ‘‘Não posso dizer se as reservas chegarão ao nível de setembro do ano passado’’, ponderou. Em setembro de 97, auge da crise asiática, as reservas despencaram de US$ 61,931 bilhões para US$ 52,173 bilhões em dezembro.
Os recursos estrangeiros que ingressam no País vêm atraídos pela altas taxas de juros. Dados divulgados ontem pelo Banco Central mostram que, em fevereiro, houve uma entrada de US$ 1,726 bilhão de capital de curto prazo, contra saídas que totalizaram US$ 2,2 bilhões em janeiro.
Esse tipo de capital fica no País durante pouco tempo, pode sair em um momento de crise e não voltar mais, aumentando a vulnerabilidade da economia local. Os recursos em renda fixa podem abandonar o país a qualquer momento e aumentaram 11,3 vezes de janeiro para fevereiro: de US$ 60 milhões para US$ 682 milhões.
Em outubro do ano passado, quando o governo dobrou as taxas de juros, o objetivo era oferecer melhor remuneração e estimular a permanência de recursos estrangeiros no País. Os reflexos da crise asiática no Brasil fizeram o BC perder US$ 9 bilhões somente em um dia.
As contas de CC-5, mantidas por estrangeiros no País para movimentação de moeda estrangeira, também estão estão registrando queda nos volumes de saída do país. Em janeiro saiu US$ 1,474 bilhão por meio dessas contas. No mês passado, esse valor ficou em US$ 999 milhões.
Esse tipo de capital é considerado de má qualidade porque não possui impedimentos para deixar o país diante da ameaça de uma crise. No rastro da crise asiática, saíram por meio das CC-5, no mês de outubro, US$ 3,680 bilhões, segundo dados do BC.
O chefe do Depec (Departamento Econômico) do BC, Altamir Lopes, disse ontem que não considera especulativos ingressos feitos em Bolsas de Valores - que aumentaram de US$ 735 milhões em janeiro para US$ 2,243 bilhões no mês passado. ‘‘Os investimentos destinados à renda fixa também não nos preocupam’’, disse ele. O raciocínio de técnicos do BC é o seguinte: o dinheiro especulativo pode se transformar em investimento direto, destinado à produção.
A entrada de investimentos estrangeiros diretos também está incentivando a recomposição das reservas. Em fevereiro, esse valor chegou a US$ 1,239 bilhão, contra US$ 924 milhões em janeiro. O acumulado no ano, até fevereiro, é de US$ 2,163 bilhões.
Déficit externo O déficit em transações correntes, principal indicador das contas externas, fechou o mês de fevereiro em US$ 1,668 bilhão. O acumulado nos dois primeiros meses de 98 chega a US$ 3,75 bilhões, o que representa 3,04% do PIB (Produto Interno Bruto, somas das riquezas produzidas no País).
O acumulado nos últimos 12 meses encerrados em fevereiro é de 4,13% do PIB. Isso significa que os gastos do Brasil em suas transações com outros países, neste período, superaram as receitas em US$ 33,147 bilhões.
Apesar da pequena melhora com relação a janeiro (déficit de US$ 2,082 bilhões), as contas externas tiveram suas despesas com juros dobradas em janeiro e fevereiro deste ano com relação ao mesmo período do passado. Altamir Lopes disse que a tendência em 98 é aumentar o pagamento de juros, devido ao aumento do endividamento externo durante a crise asiática.

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