Entrada de dólares faz cotação recuar a R$ 1,76
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sexta-feira, 26 de março de 1999
Agência Folha 
O Brasil continuou a registrar forte entrada de recursos ontem, superior a US$ 500 milhões. O dólar fechou a R$ 1,765, com nova desvalorização, agora de 1,39%. Na semana, o real acumulou valorização de 4,82% contra o dólar. No mês, recuperou 15,58% de seu valor. No ano, a desvalorização contra o dólar chega a 31,56%.
No mercado internacional, o Bradesco vendeu ontem com sucesso US$ 200 milhões em eurobônus. Planejava vender US$ 100 milhões, mas a demanda foi forte demais. Estou eufórico, diz José Guilherme de Faria, diretor-executivo do banco.
A venda dos papéis do Bradesco trouxe otimismo ao mercado de câmbio. É a maior emissão realizada desde a moratória da Rússia, em agosto do ano passado, que espantou os investidores dos países emergentes.
Os dólares obtidos pelo Bradesco serão vendidos no mercado de câmbio no início de abril e vão ajudar a puxar as cotações do real para cima. Os temores de pressão no câmbio em abril estão se dissipando. O Citibank do Brasil, que lançou de US$ 75 milhões a US$ 100 milhões ontem, não quis revelar os detalhes da venda. Mas os rumores são de que ela teria sido bem-sucedida. Comenta-se ainda que o Itaú também estaria preparando uma emissão.
As taxas de captação no mercado externo, se comparadas com os juros internos, tornam atrativo o lançamento de bônus. O Bradesco ofereceu taxas de juros de 11,75% ao ano para os investidores que desejavam carregar seus papéis, de vencimento em um ano. Mas, no leilão, acabou aceitando pagar 11,987%.
No mercado interno brasileiro, o chamado cupom cambial, rendimento dos investimentos indexados no dólar, estava em torno de 20% ontem. É uma diferença de mais de 7%. No mercado externo, o título da dívida externa do governo federal brasileiro chamado de IDU, que também tem vencimento em um ano, pagava juros de 17,5% hoje.
É justamente essa diferença nos juros internos e externos, aliada a uma maior credibilidade internacional do Brasil, que tem atraído dólares. As perspectivas de queda nos juros internos fazem com que os investidores tragam seus dólares imediatamente para aproveitar o melhor momento.
Segundo o diretor-executivo do Bradesco, os US$ 200 milhões serão usados em operações chamadas de 63 caipira , de empréstimos à agricultura, e de 63 , de financiamentos em dólar às empresas brasileiras. Muitas empresas com dívida em dólar vencendo vão querer se refinanciar em dólar , diz Lembi de Faria.
Em abril, vencem US$ 2,344 bilhões de dívidas externas em eurobônus de empresas brasileiras. A Light, com vencimento de US$ 875 milhões no dia 24, seria apenas uma das empresas que estaria conseguindo rolar a dívida no mercado externo.
Tudo mudou, segundo Lembi de Faria, depois da viagem do ministro da Fazenda, Pedro Malan, e do novo presidente do Banco Central, Armínio Fraga, e de suas reuniões com os bancos internacionais. O acordo com o FMI e as medidas adotadas pelo BC para atrair dólares também trazem calmaria ao mercado de câmbio. Ontem, a entrada de dólares voltou, forçando nova atuação do Banco Central e Banco do Brasil.


