Entrada de dólares em março é recorde e atinge 10,8 bilhões
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segunda-feira, 30 de março de 1998
Agência Folha 
Arquivo FolhaQualidade, não quantidadeO ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyola: governo deve induzir entrada de recursos de longo prazoCom uma entrada de US$ 2,856 bilhões na última sexta-feira, os ingressos de dólares no País pelo mercado de taxas livres - em que se realizam as principais operações de comércio, investimentos e empréstimos - já chegam a US$ 10,813 bilhões em março, um recorde absoluto.
Pelo mesmo segmento do mercado de câmbio, ingressaram no país US$ 6,28 bilhões em fevereiro. Fora isso, os resultados mensais dos últimos dois anos sempre ficaram abaixo do patamar de US$ 4 bilhões. Mais: só neste primeiro trimestre, a entrada de dólares, de US$ 19,657 bilhões, já supera a de todo o ano passado, que registrou US$ 17,663 bilhões segundo a contabilidade do Banco Central.
Ao contrário do que possa parecer, essas não são boas notícias para o governo, que no final do ano passado dobrou as taxas de juros para evitar uma fuga de capital externo em função da crise financeira na Ásia. É claro que a volta do capital externo e a recomposição das reservas cambiais do BC deixam o país mais longe dos riscos de uma crise externa, mas o fluxo excessivo de dólares traz outros problemas.
Para começar, o BC é obrigado a comprar todos os dólares que entram no País - do contrário, a cotação da moeda norte-americana desabaria em função das sobras no mercado, prejudicando as exportações e estimulando as importações. Outro problema é a qualidade dos dólares que entram no País. É razoável supor que os ingressos recordes se devam a investimentos interessados nas altas taxas de juros pagas no país. O ex-presidente do BC Gustavo Loyola avalia que o governo deve tomar novas providências para elevar a qualidade do capital que ingressa no País, ou seja, induzir a entrada de recursos de mais longo prazo.


