A entrada de carne bovina do Mato Grosso no mercado paranaense está dificultando a atividade dos 17 frigoríficos que atuam no Estado. Segundo o diretor-executivo do Sindicarne-PR, Péricles Pessoas Salazar, os abatedouros não estão conseguindo repassar o preço que estão pagando pela arroba do boi gordo, e três abatedouros vão suspender seus abates a partir de sábado. Ele não revelou o nome das empresas. Ontem, a arroba do animal era cotada a R$ 30,00, com prazo de 30 dias. ‘‘O preço da carne vendida pelos frigoríficos não cobre o preço pago pelo boi gordo’’, afirmou. Segundo Salazar, os frigoríficos vendem o boi casado (carne em peças) por R$ 29,00/@, o que representa um prejuízo de R$ 1,00/@.
O diretor do Sindicarne-PR disse que a carne vinda do Mato Grosso chega ao Paraná cotada a R$ 29,00/@, incluindo o frete. ‘‘Os frigoríficos paranaenses não têm como competir com carne vinda do Mato Grosso’’, comentou. Segundo ele, o boi gordo ontem era cotado a R$ 29,00 no Mato Grosso. ‘‘Não sei como é que ele consegue vender a carne por R$ 29,00 no Paraná, incluindo o frete’’, disse.
Segundo Salazar, alguns frigoríficos paranaenses estão preferindo comprar o animal pagando R$ 29,00/@ à vista. Desta forma, explicou, o frigorífico garante o fluxo de animais e antecipa os R$ 2,00 que pagaria se comprasse a prazo. O problema, segundo o diretor do Sindicarne, é que a carne é vendida no varejo com prazo de 15 dias. ‘‘Mas o pagamento acaba acontecendo em 20 dias, quando o comprador paga’’, comentou, observando que o índice de inadimplência do setor também é alto. Salazar afirmou que a estratégia de compra à vista, no entanto, só beneficia quem tiver capital de giro. ‘‘Aqueles que buscam financiamento para antecipar o pagamento, acabam tendo seus ganhos anulados pelos juros’’, afirmou.
Outro fator que tem ‘‘estrangulado’’ o setor, segundo Salazar, é a guerra fiscal entre os Estados. Os frigoríficos do Paraná, que exportam para outros Estados, encontram dificuldades para competir com os frigoríficos dos Estados importadores. No caso de São Paulo, maior comprador do Paraná, a carne está isenta de ICMS, e no Mato Grosso do Sul, o imposto é de 2%. No Paraná, a alíquota incidente sobre o produto é de 4% para as vendas internas e 7% para as vendas interestaduais.

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