A nomeação do novo ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi vista com bons olhos por boa parte dos representantes de sindicatos e entidades de classe do Paraná. O discurso de todos está fundamentado na esperança de que a mudança no ministério gere uma redução na taxa de juros e, consequentemente, a retomada do crescimento econômico, apesar de Mantega ter declarado dar continuidade à política econômica atual.
''Eu acredito que o novo ministro vai permitir um índice mais alto de inflação, lutar por um juro menor e estimular o setor empresarial'', disse Francisco Simões, presidente do Sindicato dos Economistas de Londrina.
Segundo ele, o ex-ministro Antônio Palocci teve uma boa atuação, consolidou a política monetária, deixou a inflação sob controle, mas emperrou o desenvolvimento do País.
Na opinião do economista do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos do Paraná (Dieese), Cid Cordeiro, Mantega deverá manter a meta de inflação para o ano e continuar com o mesmo câmbio flutuante. Ele acredita que o afrouxamento na política monetária será ínfimo e vai depender, basicamente, de ordens do Presidente Lula. Quanto ao comando da economia por Palocci, Cordeiro pontuou que ele foi importante para a redução do risco Brasil, mas pecou quando permitiu os juros altos.
Para o diretor de finanças do Sindicato das Empresas de Serviços, Contabilidade, Auditoria e Perícias de Londrina (Sescap-Lnd), Osmar Tavares de Jesus, Mantega deverá seguir os mesmos caminhos traçados por Palocci. ''Mesmo que haja alguma mundança, deverá ser pequena e sem grandes problemas, pois a política econômica do País está bastante consolidada'', reforçou. Conforme ele, O ex-ministro da Fazenda teve seus acertos quando conseguiu fazer o País aumentar suas exportações. No entanto, errou quando segurou a economia interna.
Com a esperança de que Mantega coloque em prática políticas que sempre pregou, de afrouxamento da política monetária e mudanças estratégicas no Banco Central, o presidente da Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio), Darci Piana, acredita que a tendência é uma redução da taxa de juros. ''Com a taxa de juros atual e com a crise da agricultura é mais do que necessário uma mudança. Do contrário, o comércio vai sofrer demissão em massa'', afirmou. Na opinião dele, Mantega não tem a mesma característica de firmeza de Palocci e está mais suscetível às pressões do governo.
Em nota à imprensa, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo da Rocha Loures, disse que a substituição do ministro da Fazenda pode ser uma oportunidade para alterações na política econômica do País. ''A renovação é saudável e abre espaço para o abrandamento das taxas de juros, medida há muito tempo reclamada pelo setor produtivo e toda a sociedade'', afirmou Rocha Loures.

mockup