O caso de suspeita de estelionato na venda de residências pela construtora Iguaçu do Brasil, que levou à prisão do proprietário e de mais pessoas ligadas à administração da empresa, deixou o londrinense mais receoso sobre a compra da casa própria. Para tranquilizar a população, três entidades de Londrina ligadas à corretagem e ao comércio de imóveis se colocaram à disposição, para consultas e orientações a quem pretende investir no mercado imobiliário.
Representantes do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Paraná (Creci-PR), da regional de Londrina do Sindicato da Habitação e Condomínios (Secovi) e do Sindicato dos Corretores de Imoveis de Londrina e Região (Sincil) se reuniram durante este mês e mostraram preocupação com a repercussão do caso Iguaçu. O temor é que construtoras e corretores idôneos sejam prejudicados pela desconfiança do consumidor. Por isso, as associações se colocam à disposição para tirar qualquer dúvida, em atendimento por telefone, e-mail ou pessoalmente.
No caso da Iguaçu, o vice-presidente do Creci-PR, Rosalmir Moreira, afirma que os corretores devem ser responsabilizados por problemas na venda, já que eles são obrigados a negociar apenas imóveis em situação regularizada. Ele diz que a maioria dos profissionais em Londrina é séria, tanto que muitas imobiliárias se recusaram a comercializar os empreendimentos da Iguaçu. "Acabaram montando uma equipe própria e a grande maioria dos profissionais que estavam lá dentro eram estagiários. Ou seja, pessoas ainda não habilitadas, que não poderiam estar fazendo esse tipo de vendas sem a supervisão de um profissional", diz. Por isso, o órgão abriu sindicância sobre os funcionários da construtora e as informações serão levadas ao Ministério Público.
Mas, de forma geral, a delegada do Creci em Londrina, Goreti Ferrari, diz que o contato com corretores de confiança resolve o problema. "Procure saber se o corretor é credenciado e, se tiver dúvida, ligue no Creci para fazer uma consulta", sugere. Assim, o profissional ou a imobiliária fica responsável por verificar toda a documentação. É importante lembrar que o custo sobre o serviço não é do cliente. "Quem paga é quem vende, e não quem compra", conta o diretor do Secovi Marcos Moura.
Caso não seja possível contar com o apoio de um corretor de confiança, o cliente tem a opção de entrar em contato com as entidades e receber orientações sobre como agir ou onde procurar a documentação (veja exemplos no quadro ao lado). Há ainda profissionais que fazem consultoria em negociações. O presidente do Sincil, Marco Antonio Bacarin, diz que é preciso entender a importância do profissional. "Se procurar uma entidade ou um corretor, 99% dos problemas serão evitados."

Caso Iguaçu
O Ministério Público oferecerá na segunda-feira, à Justiça, a denúncia contra o proprietário da Iguaçu, o ex-prefeito de Mandaguari Carlos Alberto Campos de Oliveira, e mais oito pessoas indiciadas como suspeitas de participar do esquema, por crimes como estelionato, formação de quadrilha e falsidade ideológica. Oliveira e mais seis estão presos e um, foragido.
Os promotores receberam na última terça-feira o inquérito apresentado pelo delegado do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Alan Flore, que desmembrou o caso em dez apurações. "Mais pessoas ainda poderão ser presas", diz o promotor Jorge Barreto.

Imagem ilustrativa da imagem Entidades se oferecem para orientar comprador de imóvel
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