Entidades se mobilizam para manter Varig
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quarta-feira, 09 de março de 2005
Vera Barão<br>Reportagem Local 
Entidades de classe de Londrina estão se mobilizando para impedir que a Varig suspenda os três vôos diários de Londrina para São Paulo. Em reunião ontem pela manhã na sede da Ordem dos Advogados do Brasil - Subseção Londrina, representantes das entidades encaminharam um ofício à Varig pedindo à empresa aérea que se pronuncie sobre as possíveis cancelamentos dos vôos a partir de 2 de maio - data em que a Varig e TAM suspenderão também as operações em code share (compartilhamento de vôos). Recentemente, a empresa encaminhou ao Departamento de Aviação Civil (DAC) pedido de reestruturação da malha no país.
O cancelamento dos três vôos diários traria repercurssão negativa para Londrina, prevê o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (Subseção Londrina), José Carlos da Rocha, que promoveu a reunião com as entidades. No documento encaminhado ao presidente da Varig, os representantes das entidades destacam o potencial de Londrina e o que significaria para a cidade e para a empresa perder esses vôos. ''Elencamos 13 grandes eventos que acontecem de maio deste ano a maio de 2006 e o fluxo de pessoas que vão estar na cidade, vindas boa parte delas por empresas aéreas'', disse a presidente do Londrina Convencion Bureau, Maitê Uhlmann.
Para ela, a saída da companhia da cidade vai inflacionar o setor. Isto significa que a redução da oferta de vôos fará com que as demais empresas aumentem o valor da passagem. ''É a lei da oferta e da procura'', comenta Maitê. Ela participa hoje de uma audiência pública em Brasília que vai discutir na Câmara o plano de reestruturação da Varig. A audiência conjunta será realizada pelas comissões de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, e de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio.
O ministro da Defesa, vice-presidente José Alencar deverá falar sobre o plano que está sendo elaborado pela Consultoria Trevisan, o Unibanco e o escritório de advocacia Arnold Wold. A dívida da Varig alcança R$ 9 bilhões, boa parte dela com o Estado.
Representantes da empresa em Londrina alegam que não receberam nada oficialmente sobre possíveis mudanças, mas informaram que no sistema não existe mais reserva a partir de 2 de maio, o que indica que as linhas serão suspensas. A empresa emprega 40 funcionários no município. Em 1999, época em que a Varig mantinha 26 vôos em Londrina, foram transporotados 210 mil passageiros pela companhia. No ano seguinte, 160 mil. Depois que a empresa diminui o número de vôos, consequentemente diminui-se também o número de passageiros que, em 2001, eram em torno de 140 mil ao ano. A empresa disse não ter os números mais recentes, de 2003 e 2004.
Cerca de 40 mil passageiros passam pelo aeroporto de Londrina mensalmente, sendo que 7 mil deles utilizam a Varig. Os outros vôos estão distribuídos entre as empresas TAM (Curitiba, Congonhas e Guarulhos), Passaredo (Curitiba, Ribeirão Preto, Uberlândia e Goiânia), Trip (Cuiabá e Campo Grande) e Gol Linhas Aéreas (Curitiba e Campo Grande).
O deputado federal Alex Canziani (PTB) vai liderar uma comitiva de representantes da sociedade civil de Londrina, na próxima semana, ao Rio de Janeiro, para uma audiência com o presidente da Varig.


