Entidades querem suspender o processo de privatização
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terça-feira, 31 de março de 1998
Cláudia Lopes 
Duas entidades reagiram ontem contra a aprovação do projeto de privatização da Sercomtel pela Câmara dos Vereadores de Londrina na segunda-feira, em primeira discussão. A Associação dos Proprietários de Terminais Telefônicos de Londrina (Aprotel) encaminha documento hoje ao juiz da 10ª Vara Cível de Londrina, Mário Azzolini, pedindo a suspensão do processo, segundo informou o advogado e diretor jurídico da entidade, Ronaldo Neves. E o Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações (Sintel) irá pedir amanhã a retirada do projeto de lei da pauta de votações da Câmara.
A Aprotel quer a suspensão da votação do projeto que prevê a venda de ações da operadora enquanto não houver o reconhecimento dos direitos dos proprietários quanto a participação acionária e os percentuais desta participação. E também enquanto não for fixado valor correto e legal do patrimônio da Sercomtel. A avaliação anterior foi feita pela Andersen Consulting, contratada na época sem licitação. Queremos a avaliação legal do patrimônio, diz Neves. A contratação da Andersen também é objeto de uma ação civil pública pelo Ministério Público de Londrina.
A Aprotel ingressou no dia 22 de dezembro passado, na 10ª Vara Cível, com um pedido de restabelecimento da liminar que suspendeu a venda das ações da Sercomtel. A liminar foi revogada no dia 16 de dezembro passado. A Aprotel defende os direitos dos cerca de 100 mil proprietários de terminais telefônicos de Londrina. O capital da Sercomtel foi constituído, na década de 60, com recursos da população. 85% do patrimônio da operadora pertence aos proprietários de linhas telefônicas, diz Neves. A Aprotel é favorável à privatização mas questiona a destinação dos recursos.
O delegado Sintel, Francisco Moreno, também diz não ser contra a privatização da Sercomtel, mas contra a venda total das ações. A operadora precisa vender ações a um parceiro estratégico para conseguir capital a fim de investir em novos projetos. Mas a maioria das ações, 51%, tem que ficar nas mãos do município, defende.
Moreno quer mais tempo para debater sobre a privatização da Sercomtel com vereadores, funcionários e comunidade. O sindicato, que tem 700 filiados, convocou assembléia para hoje, às 18 horas, com todos os funcionários da operadora para discutir o assunto. A reunião acontece no auditório do Sindicato dos Urbanitários (Av. Santos Dumont, 90).


