Entidades ligadas à utilização do gás natural veicular (GNV) querem que o Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro) se comprometa hoje, durante o 2º Fórum de Gás Natural Veicular, a regulamentar a conversão dos veículos para o uso do combustível. Muitas oficinas estão oferecendo ao consumidor apenas a conversão básica, que é mais barata mas também torna o GNV mais poluente do que a gasolina. Uma das principais qualidades atribuídas ao gás é que ele é um combustível ecologicamente correto. O fórum será realizado dentro da 1 Feira Sul-Brasileira dos Fornecedores da Indústria Automotiva (Autopar), que começou ontem no Centro de Exposições do Parque Barigui, em Curitiba.
A diferença de preço entre a conversão básica e a completa pode chegar a R$ 1,2 mil, o que motiva os consumidores a optarem pelo modelo mais poluente, explicou o diretor-administrativo da Tecnigás, João Carlos Marques. O pedido pela regulamentação será feito pelo Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessório do Estado do Paraná (Sindirepa), e pela Companhia Paranaense de Gás (Compagas). ''O gás só é menos poluente se for feita a conversão com componentes eletrônicos, o que fica mais caro'', afirmou o presidente do Sindirepa, Wilson Bill.
Segundo Bill, o consumidor não tem acesso a informações suficentes para saber o que está comprando quando decide fazer a conversão. ''Novos postos vão abrir em Curitiba daqui a pouco tempo, e com isso o mercado do GNV vai deslanchar, mas é preciso orientar o consumidor'', relatou. Segundo ele, dentro de um ano, os automóveis com GNV no Paraná vão precisar passar pela inspeção de alguma entidade ambiental. ''Quando isso acontecer, acho que 50% dos carros convertidos não vão passar e vão ter que colocar as peças que faltam'', explicou.
Para a coordenadora de Estudos e Padrões Ambientais do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Ana Cecília Nowacki, o cadastro de empresas pelo Inmetro é fundamental para que o GNV não prejudique o meio ambiente. ''O gás natural realmente traz ganho ambiental quando empresas que usavam óleo diesel ou até carvão passam a adotá-lo, porque elas deixam de emitir dióxido de enxofre e material particulado. Já a gasolina e o álcool não fazem essa emissão. Por isso o gás em veículos traz um ganho ambiental menor e em certos casos pode até prejudicar'', avaliou.

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