Entidades querem duplicação de mais 2 mil km no Estado
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segunda-feira, 04 de maio de 2015
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
Até 2035, o Fórum Permanente Futuro 10 Paraná, formado por 20 instituições, entre elas as federações paranaenses da Indústria (Fiep), da Agricultura (Faep), e do Comércio (Fecomércio), quer transformar a infraestrutura de logística e transporte no Paraná. Entre obras elencadas como prioritárias, estão aproximadamente dois mil quilômetros de duplicações de rodovias, além daqueles já previstas em contratos de concessão.
Coordenadores do Fórum estiveram ontem em Londrina, na sede da Fiep, onde apresentaram o Plano Estadual de Logística e Transportes do Paraná - Pelt 2035, e coletaram sugestões para aprimorá-lo. Entre as duplicações, estão quatro trechos partindo da microrregião de Londrina, três deles fazendo ligação com o Estado de São Paulo. Está prevista no estudo a duplicação da BR-369 até Ourinhos, trecho hoje sob concessão da Econorte, cujo contrato vence no final de 2021.
Outro trecho é o da PR-323, saindo pela PR-445, até o Posto Charles Naufal, próximo de Assis, trecho também sob concessão da Econorte no mesmo contrato. E ainda a PR-170, saindo de Rolândia, até Porto Capim, em Porecatu, que não está sob concessão. O Fórum ainda quer a duplicação da PR-445, no sentido Sul, em direção a Mauá da Serra.
"O Paraná necessita de investimentos em infraestrutura. Sabemos das dificuldades para se obter recursos para obras. Por isso, temos de priorizar os investimentos", afirma o consultor da Fiep, Mario Stamm. De acordo com ele, o projeto, que está sendo apresentado em todas as mesorregiões do Paraná, já foi discutido durante "vários anos" pelo Fórum, mas a ideia é que a sociedade apresente novas contribuições. Stamm prevê que até julho deverá ser apresentado um relatório com os resultados das discussões regionais.
O prefeito de Bela Vista do Paraíso, João Monza, foi um dos que pediram mudanças no projeto. Ele defende que, em vez de duplicar a PR-170, é melhor fazer a obra na PR-090, de Ibiporã até Porecatu. A estrada passa pela cidade dele. "Ninguém mais usa a outra (170). As carretas todas que vêm com a soja do Mato Grosso passam por Bela Vista, que é um trajeto mais curto", afirma. A sugestão do prefeito foi anotada pela organização do Fórum.
Chefe de Gabinete da Fiep e responsável pela apresentação do projeto, João Arthur Mohr, conta que, num primeiro momento, o Fórum não definiu como serão feitas essas obras, que dependem do Poder Público. "Pode ser por concessão, por Parceria Público-Privada (PPP). Mas neste momento nós achamos que o foco deve ser a definição de prioridades", declara.
No modal rodoviário, ele diz que as PPPs são importantes para duplicação de vias que não tenham grande fluxo de veículos. Mohr defende o modelo adotado pelo governo do Estado no trecho de Maringá a Francisco Alves da PR-323. Além da cobrança de pedágio, a única concessionária que se interessou pela via irá receber R$ 96 milhões por ano do governo do Paraná. "O modelo é adequado porque a estrada não tem fluxo suficiente para que o investimento se sustente só com cobrança de pedágio", afirma.
Devido à crise financeira na qual se encontra o Paraná, o governo não conseguiu assinar o contrato com a concessionária escolhida no início do ano passado. Para isso, é preciso constituir um Fundo Garantidor de Investimento. "Não sabemos quando esse contrato será assinado", declara.
Ferrovias
Em relação às ferrovias, o estudo prevê duas grandes obras, que já pertencem ao plano nacional de logística. Uma delas é a ligação de Cascavel a Paranaguá, projeto que inclui um trecho novo na Serra do Mar. Outra é a passagem da Norte-Sul pelo Paraná. Quando concluída, a ferrovia irá ligar Barcarena, no Pará, ao Porto de Rio Grande (RS). O Fórum ainda defende a revitalização da ferrovia hoje concedida à ALL, que liga o Norte do Paraná ao porto.


