Entidades representantivas da indústria e do comércio de todo o Paraná prometem uma mobilização junto aos senadores contra a aprovação da Contribuição Social para a Saúde (CSS). A intenção é enviar cartas com repúdio à criação de mais um tributo. ''É lamentável porque este imposto foi criado a mando do governo. Mas acreditamos que a CSS não deverá passar pelo Senado, que tem sido mais equilibrado nas votações com interesse da sociedade'', comenta Hélio Bampi, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).
Segundo ele, qualquer incremento na atual carga tributária vai penalizar os consumidores e o setor produtivo. ''O custo deste imposto será repassado para os preços de produtos e serviços em maior ou menor grau dependendo da incidência cumulativa'', comenta Bampi. Ele acrescenta que a arrecadação estimada - de cerca R$ 15 bilhões para 2009 - irá tirar dinheiro da própria economia: do consumo, de investimentos ou da poupança. A lógica é que a redução do consumo acarreta em um efeito cascata com queda da demanda, da produção, dos investimentos, da distribuição de renda e da sustentabilidade do crescimento da economia nacional.
''O governo está comprometendo a sustentabilidade do crescimento da economia'', salienta Bampi. Ele acrescenta que a extinção da CPMF gerou cerca de 700 mil novos empregos no País. Já a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) classificou a eventual aprovação da CSS como uma ''traição''. Em documento enviado aos deputados, e que será remetido a todos os senadores, a entidade afirma que a sociedade ''será traída se, porventura, for aprovada a ressureição (da CPMF) com o nome de Contribuição Social da Saúde''.
''Os recordes de arrecadação são prova mais do que evidente de que não há necessidade de um novo imposto; basta que (o governo) saiba gastar o muito que já recebe'', afirma o documento da Faep. ''É uma imoralidade, todos que têm conta em banco terão 0,10% 'tungado' pelo governo'', acrescenta Carlos Augusto Albuquerque, assessor da presidente da Faep. A Associação Comercial e Industrial de Maringá (Acim) também promete enviar, nesta semana, uma carta aos senadores paranaenses e à presidência do Senado contra a criação do tributo.
O presidente da entidade, Adilson Emir Santos, diz que pretende manter contato pessoal com os senadores. ''Estamos indignados com a ganância do governo em aumentar a arrecadação. A carga tributária deveria ser reduzida, assim como os gastos públicos. A que ponto vamos chegar?'', questiona. Ele também acredita que a saúde não deverá ser beneficiada com o aumento da arrecadação, uma vez que a CPMF também não foi usada para este fim.
As formas de manifestação também seriam discutidas ontem à noite em reunião na Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa. ''Está ocorrendo uma mobilização nacional contra a criação do imposto e também somos contra. Aumento de imposto, significa aumento da carga tributária e isso vai onerar ainda mais o custo-Brasil'', diz Hilário Devicchi, presidente da entidade. (F.M.)

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