Entidades pedem pressão política para salvar Sercomtel


Fábio GaliottoReportagem Local
Fábio GaliottoReportagem Local
Cerca de 300 pessoas participaram da reunião na sede da companhia
Cerca de 300 pessoas participaram da reunião na sede da companhia | Gustavo Carneiro



O prefeito Marcelo Belinati e representantes de entidades ligadas ao setor produtivo convocaram os moradores de Londrina a se juntarem para fazer pressão política sobre os governos federal e estadual, com objetivo de salvar a Sercomtel. A ideia é evitar que a empresa seja fechada, devido ao processo promovido pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) para avaliar as condições financeiras da companhia, que tem dívida consolidada de R$ 238,9 milhões. O evento de mobilização foi na terça-feira, 17, na sede da companhia municipal de telefonia.

A Sercomtel sofre um processo de caducidade da concessão de telefonia fixa por parte da Anatel, que deu prazo de cinco meses para definir se cassa a licença da empresa para atuação em Londrina e Tamarana. Como as duas cidades representam a maior parte da receita da estatal, a decisão pode inviabilizar não apenas as atividades da Sercomtel, mas causar perdas ao município de R$ 571 milhões somente nos primeiros 12 meses e de mais R$ 124 milhões a cada ano seguinte em massa de consumo, seja em salários, pagamentos a fornecedores ou arrecadação de impostos.

Como o controle acionário da Sercomtel está dividido em 55% para a prefeitura e outros 45% para a Copel (Companhia Paranaense de Energia), boa parte da pressão se dará sobre o governo do Estado. A ideia é buscar soluções que vão desde perdão de dívidas tributárias por parte do Palácio Iguaçu a obter da Copel investimentos de no mínimo R$ 100 milhões para infraestrutura na empresa londrinense.

Nesse último caso, segundo Belinati, seria possível elevar em R$ 200 milhões ao ano a receita da Sercomtel. A conta sobre R$ 100 milhões se deve ao valor necessário para fazer com que a relação entre o endividamento da Sercomtel e o faturamento para níveis dentro do estipulado pela Anatel.

Apesar de evitar ataques ao governo e à Copel, o prefeito de Londrina disse que o fim da empresa seria devastador para a cidade e que é preciso mobilizar a sociedade londrinense. "Por incrível que pareça, a decisão técnica deveria ser a de ajudar, porque a Sercomtel é a principal empresa de Londrina em arrecadação. Por isso, precisamos de atuação política para criar meios de a Sercomtel crescer", disse.

No espaço aberto para debates, representantes de entidades e moradores que compareceram ao evento cobraram um abaixo-assinado para mostrar o interesse público na manutenção da companhia de telefonia. Outras ideias foram visitas de comitivas e a criação de um fórum permanente de defesa da empresa. "É inacreditável que o governo brasileiro, que usa dinheiro público para salvar bancos privados, use a Anatel para colocar a faca no nosso pescoço, porque o que vão fazer com o fim da Sercomtel é sucatear uma cidade", disse a ex-vereadora Elza Correia.

Belinati lembrou também que o governo estadual já perdoou dívidas de mais de R$ 500 milhões da Cidade Industrial de Curitiba e que a Copel pretende investir R$ 157 milhões para enterrar fiação elétrica em uma avenida da capital, recursos acima do que pede para a Sercomtel.

A estatal de telefonia tem mil funcionários diretos e mais 3 mil indiretos. A telefônica arrecadou cerca de R$ 64 milhões de impostos federais, estaduais e municipais em 2016. Em torno da Sercomtel, gira o APL (Arranjo Produtivo Local) de Tecnologia e Telecomunicação, de alcance regional e que agrega mais de 1,3 mil empresas de software, startups e componentes eletrônicos, bem como a economia, o comércio local e o setor de serviços, que estão ligados à companhia.

PROPOSTA
Uma das possibilidades de investimento é usar R$ 148 milhões para estender o cabeamento de fibra ótica por todo o território de Londrina e parte de mais 22 cidades da região. Segundo apresentação preparada pela diretoria da Sercomtel, o valor se pagaria em 88 meses e permitiria novos investimentos em tecnologias como a internet móvel 4G.

Participaram do evento cerca de 300 pessoas, entre representantes do Fórum Desenvolve Londrina, do Sinttel (Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do Paraná), da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina), da Sociedade Rural do Paraná, além de moradores e funcionários.


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